quinta-feira, 30 de junho de 2011



Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo


Depois de aplicar reiteradas multas a madeireiras de Nova Ipixuna 
 –  cidade do sudeste do Pará em cuja zona rural foram 
assassinados os extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, 
Maria do Espírito Santo  –, o Ibama tomou uma atitude drástica: 
determinou o fechamento definitivo de 12 empresas ao apreender 
todas as máquinas e desmontar suas instalações.
A operação de desmonte  –  planejada desde o final maio, mas adiada 
por problemas de infraestrutura e de segurança  –  começou nesta
 quinta-feira e foi acompanhada por homens do Exército, da 
Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Federal, além da 
Polícia Ambiental do Pará e da Polícia Rodoviária Federal.
José Cláudio e a mulher haviam denunciado a participação de serrarias 
de Nova Ipixuna na retirada ilegal de madeira do assentamento extrativista
 em que viviam. As denúncias levaram fiscais do Ibama a multar e 
embargar empresas da cidade.
Após o assassinato do casal, a fiscalização foi intensificada 
 –  agentes foram deslocados de outras áreas, onde o ritmo do 
desmatamento é maior, e se concentraram na região de Nova Ipixuna. 
“É preciso dar uma demonstração de que crimes como esses não ficarão
 sem resposta”, disse ao Estado, na época, o coordenador da operação 
do Ibama, Marco Vidal.
Desde o final de maio, os fiscais aplicaram R$ 3,3 milhões em multas e 
apreenderam 770 metros cúbicos de madeira em tora e 630 do produto 
serrado. Além disso, máquinas e caminhões foram recolhidos e colocados 
sob a guarda de órgãos públicos da região. Também foram destruídos 
dezenas de fornos clandestinos para a produção de carvão.
No início de junho, moradores de Nova Ipixuna bloquearam a estrada
 que passa pela cidade em protesto contra a fiscalização  –  as madeireiras
 são umas das poucas empregadoras na região, juntamente com as fábricas 
de tijolos.
Mas era uma atividade cujo combustível era o desmatamento das poucas
 áreas ainda preservadas no sudeste do Pará. Entre 2006 e 2010, as empresas
 de Nova Ipixuna foram alvo de nada menos que 122 autos de infração, que 
somaram R$ 5,1 milhões em multas por venda e depósito de madeira 
ilegal, falta de licença ambiental e até corte e comercialização de castanheiras, 
espécie protegida por lei.
O assassinato de José Cláudio e Maria, ocorrido há mais de um mês, não foi 
esclarecido, apesar das operações especiais de investigação da Polícia 
Federal e da Polícia Civil paraense. A operação do Ibama prossegue
 na região, por tempo indeterminado.
As empresas desativadas são: Madeireira Bom Futuro, MP Torres e 
Cia Ltda, Madeireira Belmonte, Tedesco Madeira, Madeireira Eunápolis, 
Serraria Tico Tico, Sandra Coelho Santos Madeireira Ltda, 
Paulo Mendes Souza e Cia Ltda, Manoel Acácio Carneiro ME, 
PH Laminados e Compensados Ltda, Gilmar Rodrigues Silva ME e NS Filofo.