quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Assessoria da campanha de Cabral ganhou sem licitação 


ITALO NOGUEIRA 
DO RIO 


Contratada nas duas campanhas vitoriosas de Sérgio Cabral Filho (PMDB) a governador, a FSB Comunicação e Planejamento Estratégicos recebeu R$ 17,6 milhões entre 2007 e 2010 como subcontratada das agências de publicidade contratadas pelo governo do Rio. Os repasses foram feitos sem licitação. 

Esse valor representou 69,3% do total repassado às dez empresas de assessoria de imprensa subcontratadas para atender o governador e as 23 secretarias estaduais. 

As cinco agências de publicidade que atendiam ao governo neste período firmaram contrato, após licitação, com um custo estimado em R$ 100 milhões anuais. 

Com esse valor, elas criavam e executavam as campanhas publicitárias, mas terceirizavam outros serviços de comunicação, como o de assessoria de imprensa. 

Oficialmente, a escolha das empresas terceirizadas fica a cargo das agências de publicidade contratadas. 

O governo do Estado e a FSB negaram vínculo entre a concentração de gastos e a atuação na campanha. 

A empresa participou das campanhas por meio do braço de marketing político do grupo -a RP Brasil Relações Públicas. Ela recebeu de Cabral R$ 706 mil em 2010 e 2006 pela assessoria de imprensa do então candidato. 

De acordo com o governo, a empresa recebeu mais por atender diversas secretarias, enquanto as demais prestavam o serviço para apenas uma pasta cada. 

De 2007 a 2010, o repasse à FSB mais que triplicou. Enquanto no primeiro ano de governo a empresa recebeu R$ 2,8 milhões, no último da primeira gestão Cabral foram R$ 6,9 milhões. 



LICITAÇÃO 

Neste mês a Subsecretaria de Comunicação Social encerrou uma licitação específica para assessoria de imprensa, a fim de acabar com as terceirizações no setor 

A FSB ganhou a disputa e passará a ser a responsável por todas as pastas do governo. Foi assinado contrato de um ano com teto de gasto de R$ 18 milhões anuais. 

De acordo com o governo, o valor inclui a subcontratação de outras empresas para serviços específicos, que consome cerca de um terço do contrato. 

Apenas a CDN, que não foi subcontratada nesse período para atender ao Estado, também disputou a licitação. Ela fez questionamentos ao edital de licitação, mas não contestou judicialmente o resultado final. 

A licitação atende à lei 12.232, aprovada no ano passado, que diminui a terceirização de serviços de comunicação e exige licitação separada para cada tipo. 

A legislação foi criada após o escândalo do mensalão, que envolveu os repasses de agências de publicidade a subcontratadas. O Rio foi o primeiro Estado a fazer licitação em separado.

Sete pontos acerca da Líbia

30/8/2011 18:31, Por Domenico Losurdo - de Roma



Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que está em curso na Líbia:

1. O que se passa é uma guerra promovida e desencadeada pela OTAN. Esta verdade acaba por se revelar até mesmo nos órgãos de “informação” burgueses. No La Stampa de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: é uma guerra “inteiramente externa, ou seja, feita pelas forças da OTAN”; foi “o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Gaddafi”. Uma peça do International Herald Tribune de 24 de Agosto mostra-nos “rebeldes” que se regozijam, mas eles estão comodamente instalados num avião que traz o emblema da OTAN.

2. Trata-se de uma guerra preparada desde há muito tempo. O Sunday Mirror de 20 de Março revelou que “três semanas” antes da resolução da ONU já estavam em ação na Líbia “centenas” de soldados britânicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revelações ou admissões análogas podem ser lidas no International Herald Tribune de 31 de Março, a propósito da presença de “pequenos grupos da CIA” e de uma “ampla força ocidental a atuar na sombra”, sempre “antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Março”.

3. Esta guerra nada tem a ver com a proteção dos direitos humanos. No artigo já citado, Lucia Annunziata observa com angústia: “A OTAN que alcançou a vitória não é a mesma entidade que lançou a guerra”. Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise econômica; conseguirá ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das “nações não ocidentais” e em particular da China? Igualmente, este mesmo diário que apresenta o artigo de Annunziata, La Stampa, em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da página: “Nova Líbia, desafio Itália-França”. Para aqueles que ainda não tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de negócios) esclarece: depois do início da operação bélica, caracterizada pelo frenético ativismo de Sarkozy, “compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo: guerra econômica, com um novo adversário: a Itália obviamente”.

4. Desejada por motivos abjetos, a guerra é conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um diário acima de qualquer suspeita. O International Herald Tribune de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: “Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pró Gaddafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de plástico e isto permite pensar que sofreram uma execução. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambulância, estendido numa maca e amarrado por um cinturão e tendo ainda uma transfusão intravenosa no braço”.

5. Bárbara como todas as guerras coloniais, a guerra atual contra a Líbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais bárbaro. No passado, foram inumeráveis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efetuadas em segredo, com um sentimento de que se não é por vergonha é pelo menos de temer possíveis reações da opinião pública internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Gaddafi ou outros chefes de Estado não apreciados no Ocidente é um direito abertamente proclamado. O Corriere della Sera de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: “Caça a Gaddafi e seus filhos, casa por casa”. Enquanto escrevo, os Tornado britânicos, aproveitando também a colaboração e informações fornecidas pela França, são utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a família de Gaddafi.

6. Não menos bárbara do que a guerra foi a campanha de desinformação. Sem o menor sentimento de pudor, a OTAN martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas operações guerreiras não visavam senão a proteção dos civis! E a imprensa, a “livre” imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostentação a “notícia” segundo a qual Gaddafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer violações em massa. Como esta “notícia” caiu rapidamente no ridículo, surge então uma outra “nova” segundo a qual os soldados líbios atiram sobre as crianças. Nenhuma prova é fornecida, não se encontra nenhuma referência a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante é criminalizar o inimigo a liquidar.

7. Mussolini, no seu tempo, apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a OTAN apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o “Negus dos negreiros”; hoje a OTAN exprime seu desprezo por Gaddafi chamando-o “ditador”. Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: “O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: ‘a guerra deve fazer-se’, a guerra seguia-se efetivamente”. Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma “liberal” daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os “monarcas absolutos” da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.

Domenico Losurdo é jornalista.

O original encontra-se em http://domenicolosurdo.blogspot.com/; com a versão em francês em http://www.legrandsoir.info/sept-points-sur-la-libye.html. Também foi reproduzido no portal http://resistir.info/.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Zara recusa convite da Assembleia Legislativa de São Paulo para esclarecer denúncias de trabalho escravo



A Zara Brasil recusou o convite da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de trabalho em condições análogas à escravidão em confecções de fornecedores da rede no Estado de São Paulo. O depoimento seria realizado nesta quarta-feira (31) durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia.
Em nota, a empresa justifica a recusa pela indisponibilidade na agenda do representante legal da Zara Brasil, Enrique Huerta González. O convite, segundo o documento, foi feito muito em cima da hora, porém González se colocaca à disposição dos deputados para colaborar em uma próxima oportunidade, junto ao representante mundial do grupo para responsabilidade social corporativa.
A convocação foi feita pelo deputado estadual Carlos Bezerra Jr. (PSDB), que pediu a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigue o uso de mão de obra escrava no Estado, tanto em regiões urbanas quanto rurais.

Entenda o caso

Por três vezes, equipes de fiscalização do governo federal flagraram em São Paulo trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão produzindo peças de roupa da badalada marca internacional Zara, do grupo espanhol Inditex.
Durante a operação, 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas – uma localizada no centro da capital paulista e outra na zona norte. Para sair da oficina, que também era moradia, era preciso pedir autorização.
As investigações também notificaram contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16 horas diárias e cerceamento da liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o "truck system", seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização).

BONDES: A FALÁCIA DA “MODERNIZAÇÃO”



Os bondes “modernizados” pelo governo já causaram pelo menos quatro acidentes com vários feridos e uma vítima fatal. E agora, chamado a reconhecer sua responsabilidade, o Governador Sérgio Cabral se limita a dizer que a Secretaria de Transportes deverá conduzir um novo processo de “modernização” e, o que é mais absurdo, depois de o próprio Secretário de Transportes Júlio Lopes admitir o fracasso da tentativa anterior.

A AMAST (Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa) informa que a modernização cara e criminosa que o governo anuncia ter feito dos bondes de Santa Teresa, com 14 milhões de reais, foi, na verdade, uma tentativa de transformação dos bondes em Veículos Leves Sobre Trilhos (VLTs) que já causou pelo menos quatro acidentes com vários feridos e uma morte. Se a “modernização” dos bondinhos, anunciada pelo Governo Cabral, for feita desse modo, poderá significar ainda mais riscos.

Em agosto, na sexta-feira, dia 19, um VLT perdeu o freio após dar passagem a um ônibus na mesma ladeira em que, há dois anos atrás, morreu a professora Andrea de Jesus Resende. No acidente de 16 de agosto de 2009, que também deixou nove feridos, o bonde desceu em ré sem freio depois de uma colisão com um táxi. No acidente mais recente, o VLT perdeu o freio simplesmente por dar uma freada. O bonde “Frankenstein” só parou por que bateu no táxi do Sr Ademir José da Silva, 58 anos, que trabalha no ponto Alto Glória Táxi. “Tive que parar o bonde com meu carro”. Silva está sem trabalhar desde então porque a frente de seu carro foi toda destruída.

Mas este não foi o único acidente. No domingo ensolarado do dia 17 de abril deste ano, Lívia Ruback pegou um VLT junto com sua irmã, Flavia, na estação Carioca, por volta das 17h30min. Na primeira ladeira, após passar pelos Arcos da Lapa, o VLT se deparou com um carro que vinha em sentido contrário, o que fez com que o condutor do bonde freasse. No entanto, ao invés de permanecer parado – com o freio em funcionamento ? o bonde também começou a descer a ladeira em ré com a velocidade acelerando. As irmãs enviaram o relato do acidente via o “Fale Conosco” do Site da Amast. Segundo elas, as pessoas assustadas pularam do bondinho e várias se feriram sem receber qualquer assistência que não fosse a dos vizinhos no entorno que as ajudaram com os ferimentos.

Várias pessoas ficaram em estado de choque e não receberam atendimento nem da polícia nem dos bombeiros, todos acionados. Veja trechos de seus relato:

“É realmente muito perigoso andar nesse bondinho, pois a infra-estrutura é precária e os freios não funcionam. E isso mancha a imagem do Rio e de Santa Teresa, pois haviam muitos turistas inclusive estrangeiros, que acabaram por desistir de conhecer o bairro (inclusive eu, que moro no Rio e não conheço) e aposto que nunca mais voltarão a andar naquele bondinho, nunca mais irão querer voltar em Santa Teresa (assim como eu) e talvez nunca mais queiram voltar ao Rio”. (Livia publicou sua história  no blog de Ancelmo Goes. )


Confirmando os temores dos moradores do bairro que sempre protestaram contra essa reforma cara que retirou dinheiro para recuperar os bondes antigos, os VLTs apresentam problemas nos freios desde que estavam em testes. No dia 1 de junho de 2008, pilotado por um engenheiro da T’Trans, responsável pelo seu projeto, o protótipo do VLT despencou rampa abaixo na oficina batendo em outro bonde e ferindo gravemente a perna de um funcionário.

No ano seguinte, dia 10 de agosto de 2009, logo que entrou em circulação, o VLT apresentou problema. O acidente foi do mesmo tipo dos relatados anteriormente: perdeu o freio na ladeira e desceu em ré até bater em um ônibus, na altura da banca do Getúlio. Na época a Amast divulgou esse acidente alertando a população sobre a irresponsabilidade de colocar esses bondes em circulação. Não adiantou nada. Menos de seis dias depois, ocorreu a fatalidade que matou a professora Andrea, deixando 9 feridos.

Depois do acidente de 2009, a Secretaria dos Transportes tirou os VLTs de circulação por alguns meses, mas apesar de o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea?RJ) ter dado um parecer, em março de 2010, condenando freios, os VLTs voltaram a circular no bairro.

Nossa única alternativa foi estender faixas nas casas do bairro alertando os turistas e os visitantes a não andar nesse veículo, visto que as autoridades públicas não só ignoram pareceres técnicos, sentenças judiciais, bem como apelos da população e da sociedade civil para que o Sistema de Bondes de Santa Teresa seja recuperado e tenha a sua manutenção em dia, como nunca se deram ao trabalho de informar aos turistas os riscos que corriam ao andar nesses veículos.

Aliás, a Secretaria dos Transportes deve saber desse risco porque, apesar de propagandear ter “modernizado” sete bondes, só mantém dois ? atualmente o de número 3 e o número 8 – em circulação. Aliás, no dia da tragédia, o VLT número 3 também apresentou problemas de funcionamento também na altura da banca do Getúlio (temos fotos).

O descaso do governo estadual para com os bondes é tão notório que basta verificar o estado atual dos gradis dos Arcos da Lapa, cuja reforma foi anunciada pela Secretaria dos Transportes após a morte do turista francês, Charles Damien Pierson, no dia 24 de junho. Até hoje eles continuam como estavam: totalmente deteriorados.

A modernização, longe de ser a tão alardeada solução, é um dos principais motivos da malversação da verba pública que deveria ter servido à restauração e recuperação do sistema de bondes. Em nome da modernização, entregou-se milhões à T’TRANS para que fossem construídos protótipos de VLT, os quais consumiram a verba que, se aplicada na finalidade original, poderia ter evitado as mortes e os acidentes ocorridos.

Não temos dúvidas em afirmar que a “modernização”, na forma alegada pelo Governado Sérgio Cabral, é uma das grandes responsáveis pelo descarrilhamento e morte deste Sábado, 27/08/2011, que marca para sempre a história dos nossos bondes e do bairro de Santa Teresa.


AROEIRA, SÉRGIO CABRAL E O BONDE DE SANTA TERESA

Vejam a imagem abaixo e respondam: precisa falar alguma coisa a mais?



Número de pobres na França salta para 8,2 milhões de pessoas


O número de pobres na França, aqueles que vivem com menos de 954 euros por mês, aumentou em 2009 meio ponto percentual com relação ao ano anterior, de 7,8 milhões para 8,2 milhões de pessoas.

O dado, divulgado nesta terça pelo Instituto Nacional de Estatística francês (Insee) no relatório "O nível de vida em 2009" mostra que 13,5% da população da França estão "abaixo do teto da pobreza", segundo a definição francesa e europeia.

"O aumento do número de pessoas pobres pode ser vinculado ao aumento do desemprego induzido pela crise", assinala o Insee, que precisa que certas medidas, como o aumento progressivo da verba destinada ao programa Solidariedade Ativa (subvenção pública aos menos favorecidos), "permitiram limitar os efeitos da crise".

O estudo avalia que "o nível médio de vida" em 2009 subiu a 19.080 euros anuais (1.590 euros mensais), o que representa um aumento de 0,4% na comparação com 2008.

O Insee define o "nível de vida" como "a receita disponível no lar dividida pelas unidades de consumo", estabelecidas estas em função da definição da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), ou seja, 1 unidade de consumo (UC) ao primeiro adulto, 0,5 UC aos maiores de 14 anos da família e 0,3 UC a cada criança.

Os dados mostram ainda que entre 2008 e 2009 o nível de vida dos mais pobres diminuiu, na contramão da tendência observada desde 2005.

No entanto, acrescenta o Insee, o nível de vida dos mais ricos, os 10% da população cuja receita supera 35.840 euros de média, seguiu avançando ao ritmo de 0,7% por ano.

Os pobres na França dispunham em 2009 de uma média de 773 euros por mês, acrescenta o relatório, que destaca que a disparidade entre as receitas de ricos e pobres aumentou, algo que pode ser explicado pelo aumento do número de desempregados.

Os desempregados, segmento em crescente desde o início da crise, são os mais afetados pela pobreza. Estes, no entanto, estão "mais qualificados que os parados de 2008" e suas subvenções por desemprego são mais elevadas, acrescenta o relatório.

Entre os que têm um emprego, os assalariados viram seu nível de vida aumentar 1,4%, a 21.150 euros.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/967381-numero-de-pobres-na-franca-salta-para-82-milhoes-de-pessoas.shtml

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DE SANTA TERESA LANÇA NOTA APONTANDO OS CULPADOS PELO ACIDENTE DO BONDE QUE MATOU 5 E FERIU 50



Nota distribuída pela Associação de Moradores de Santa Teresa (AMAST) aponta os três culpados pela tragédia ocorrida no sábado (27/08/2011):
1. O Governador Sérgio Cabral, que com sua habitual desfaçatez, suscitou à época do acidente que vitimou a Profa. Andréa de Jesus Rezende, uma possível municipalização dos bondes, com o único propósito de desviar o foco da imprensa quanto à raiz do problema, haja vista que nenhuma palavra voltou a ser dita sobre o assunto nos últimos 2 (dois) anos.
2. O Secretário Júlio Lopes, pela malversação da verba pública que deveria ter sido aplicada na recuperação dos 14 bondinhos tradicionais, e que foi aplicada na aventura tecnológica fracassada empreendida pela empresa T’TRANS, que resultou na criação de aberrações com aparência de bonde porém repletas de problemas de projeto que até hoje não foram superados;
3. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela omissão em requerer à justiça a execução provisória das decisões que ordenaram a recuperação integral do sistema de bondes de Santa Teresa, mesmo após o esgotamento dos principais recursos em que o Estado saiu-se perdedor; Convocamos os moradores de Santa Teresa e a população do Rio de Janeiro para se juntarem a nós nessa luta hercúlea e contínua que constitui uma missão histórica da AMAST. Pedimos que continuem acompanhando e participem dos atos públicos e manifestações, virtuais e presenciais, programados pela associação, com destaque para o dia do aniversário do bonde, 01/09, cuja comemoração já seria substituída por protesto em forma de luto, agora com mais razão de ser em função desse lamentável acontecimento.
A corrupção nossa de cada dia: entre a demonização e a naturalização, a desigualdade social continua firme e forte

Marcos A, Pedlowski, Artigo publicado no número 210 da revista Somos Assim




      Por mais que não pareçam, algumas coisas estão intimamente entrelaçadas, e só analisando-as desta forma podemos compreender o que está por detrás de cada uma delas. Vejamos o caso da crise ministerial envolvendo os ministros do Transporte e da Agricultura, que recentemente tiveram seus cargos removidos por força das evidências de corrupção em suas pastas.  Uma tentação que ocorre nestes momentos, e que a imprensa tende a ecoar, é que a corrupção é algo ligado apenas às pessoas, deixando de lado uma análise que aponte para problemas sistêmicos.  Por outro lado, sempre se perde uma ótima oportunidade de refletir sobre os efeitos prolongados que a apropriação indébita de vultosos recursos públicos traz sobre o funcionamento de uma dada sociedade. Eu me arrisco a dizer que uma omissão mais grave ainda é a não reflexão acerca do papel que a corrupção no interior do Estado cumpre para manutenção do status quo social e econômico. Neste sentido é que vejo uma relação direta entre o nível de corrupção e o grau de segregação que existe numa determinada sociedade. Nesta ótica, a apropriação particular ilegal de bens não é uma patologia pessoal, mas sim uma importante ferramenta de concentração de renda existente dentro dos grupos que controlam o Estado.

    No Brasil, uma dificuldade que encontramos é que a maioria das pessoas tende a adotar uma posição que oscila entre moralista e conformista. O moralismo fica por conta da demonização dos que são pegos com as mãos na boca da botija, enquanto que o conformismo se mostra numa naturalização da corrupção como algo inerente ao DNA do povo brasileiro. Esse tipo de comportamento é mais comum do que se pensa. E não têm sido poucos os governantes na história brasileira que escaparam do ostracismo destinado aos corruptos simplesmente por aparecerem como sendo capazes de construir pontes e rodovias.  Assim, o que a maioria não pensa é que a consagração do “rouba, mas faz” é um tiro no pé coletivo. Afinal, o mais correto seria todos pensarem que quanto menos se roubasse dinheiro público, mais se faria para diminuir o fosso social existente no Brasil. No entanto não é o que normalmente se vê, inclusive no sistema legal vigente, onde ladrão de galinha vai mais rápido para a cadeia do que um político pego roubando milhões dos cofres públicos. Como se viu recentemente no caso dos ocupantes do Ministério do Turismo, até mesmo a presidente Dilma Rousseff veio a público reclamar dos exageros cometidos pela Polícia Federal. O ex-presidente Lula, em sua sabedoria peculiar, ainda protestou contra a divulgação de fotos dos presos, pois aqueles não seriam ladrões comuns. Alguém precisa avisar Lula que se fosse na China, estes dirigentes, alguns inclusive companheiros petistas, correriam o sério risco de serem executados, e suas famílias ainda teriam de pagar o custo da munição.
    Mas voltando à dificuldade de vermos os efeitos cotidianos da corrupção, o problema parece estar na dissociação que se faz entre sua existência e seus efeitos difusos em toda a vida social.  Esse fato ficou óbvio para mim recentemente, quando a agência russa de controle veterinário proibiu a importação de carne brasileira produzida em frigoríficos localizados no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A explicação dada pelos russos é que o sistema de inspeção brasileiro, que era bom até 2007, teve uma inexplicável queda de qualidade e que por isto, importar carne do Brasil havia se tornado mais arriscado. Por conhecer um pouco do que ocorre dentro de frigoríficos após uma pesquisa que realizei em 2008 na região centro oeste, não me surpreendo com a decisão dos russos, afinal de contas, o número de inspetores do Ministério da Agricultura acabou se tornando insuficiente para acompanhar a grande expansão ocorrida no setor; como resultado, a queda no processo de vigilância foi inevitável.  Uma das razões para esta insuficiência foi o contingenciamento de investimentos feitos pelo governo federal dentro dos órgãos que supervisionam o setor.  Como os russos nem são os importadores mais rigorosos no que se refere às condições sanitárias da indústria brasileira, vê-se que a falta de investimentos nos órgãos de controle ainda poderá causar mais embargos nos próximos meses. O interessante nisto tudo é que enquanto a situação se deteriorava no seu ministério por falta de aporte dos recursos necessários, o ex-ministro Wagner Rossi voava feliz pelos céus brasileiros a bordo de jatinhos de uma empresa que lucrou bastante durante sua permanência no Ministério da Agricultura. Mais didático impossível!
    A questão do embargo das importações de carne pelos russos, convenhamos, é uma gota no oceano das conseqüências nefastas que a corrupção exerce em nossas vidas. Uma fotografia mais completa pode ser encontrada em escolas e hospitais por todo o território brasileiro.  E isto não é à toa, pois existem dados mostrando que é na saúde e na educação que ocorrem os maiores saques contra os cofres públicos no Brasil. Este fato denota a face mais sórdida da corrupção, visto que compromete a saúde e o futuro dos milhões de brasileiros pobres todos os dias.

sábado, 27 de agosto de 2011


Acidente com bonde no Rio deixa 5 mortos e 57 feridos


FERNANDO MAGALHÃES
COLABORAÇÃO PARA A 
FOLHA, DO RIO



Cinco pessoas morreram e 57 ficaram feridas no acidente com o bondinho de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, na tarde deste sábado, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Dez dos feridos estão em estado grave.

O bonde tinha capacidade para 44 pessoas --32 sentadas e 12 em pé.

Uma dos mortos é o condutor do bonde, Nelson Correa da Silva, 57. Ele ficou preso às ferragens e morreu a caminho do hospital. Os nomes dos outros mortos, três mulheres e um homem, não foram divulgados.

A maior parte dos feridos (42) foi encaminhada para o Hospital Souza Aguiar. Oito foram levados ao Hospital do Andaraí, cinco, para o Miguel Couto, um para o Salgado Filho e um para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Tijuca.

O bonde fazia a linha Paula Matos-Centro e descarrilhou. Ele continuou andando mesmo descarrilhado pro cerca de 50 metros, até se chocar com um poste, na esquina da rua Joaquim Murtinho, no Largo do Curvelo, região central do Rio.

O bonde ficou totalmente destruído. A perícia chegou ao local por volta das 18h.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A FACE MAIS ESCANCARADA DO GOVERNO CABRAL: MORRE VÍTIMA DE SUBSECRETÁRIO BÊBADO QUE ATROPELOU E FUGIU SEM DAR SOCORRO



RIO - Morreu na noite desta quinta-feira Hermínio Cosme Pereira, 56 anos, atropelado pelo subsecretário de Estado Metropolitano, Alexandre Felipe Mendes, no inicio desta madrugada, em Niterói. Segundo Geovane Evangelista, filho de Hermínio, a família foi avisada por volta das 21h. Hermínio estava internado em estado gravíssimo no Hospital Azevedo Lima, também em Niterói, com morte cerebral.

UMA BOA PERGUNTA: DILMA, CADÊ A REFORMA AGRÁRIA?




Os Sem Terra apresentaram a pauta e exigiram respostas, mas até o momento não houve avanços e a negociação foi interrompida.

Segundo Amanda Matheus, da Direção Estadual do Movimento, o órgão tem de cumprir a pauta estabelecida.

"Principalmente a desapropriação de terras, para assentar as 950 famílias acampadas em todo o estado, e a agilidade na política de desenvolvimento dos assentamentos", cobra.

O estado possui acampamentos com 13 anos sem solução, além de assentamentos com quatro anos que ainda não foram divididos em lotes.

As famílias organizaram o acampamento na quarta-feira e realizaram um ato conjunto com outros setores da esquerda em frente à Câmara dos Vereadores.

Fizeram também uma mobilização em frente à sede da EBX, do empresário Eike Battista.

Os manifestantes denunciam que, entre os diversos ataques ao meio ambiente e à populações tradicionais, um dos novos empreendimentos de Eike desalojará mais de 200 famílias, com a construção de uma rodovia por dentro de um assentamento em Campos.

"Para o Eike Batista, é chegar em casa e achar o prato dele prontinho, enquanto o trabalhador dos assentamentos tem que trabalhar e mandar comida para a cidade", reclamou o camponês Gélson Hulk, do assentamento Zumbi dos Palmares, que deve ser atingido pelas obras do Porto do Açú.

À noite, o acampamento virou uma sala de cinema, com a exibição do filme "O veneno está na mesa", do cineasta Sílvio Tendler.

Essas ações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas da Via Campesina, realizada em todos o Brasil. Em Brasília, a Via Campesina está acampado desde segunda-feira.

GRITO DOS EXCLUÍDOS 2011


Neste ano o Grito dos Excluídos ocorrerá na maioria das cidades brasileiras.  Participar desta atividade é fundamental para mostrar que nem todos estão felizes com as políticas neoliberais implementadas pelo governo Dilma.


No cidade do Rio de Janeiro, a aglomeração para o Grito dos Excluídos ocorrerá a partir das 09:00 da manhã na Av. Presidente Vargas esquina com Rua Uruguaiana.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Cientistas anunciam rio subterrâneo de 6 mil km embaixo do Rio Amazonas



Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão que corre embaixo do Rio Amazonas a uma profundidade de 4 mil metros. Os dois cursos d"água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente.
A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobrás nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.
Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura.
Com a informação térmica fornecida pela Petrobrás, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.
O dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio.
Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de Rio Hamza.
Características. A vazão média do Rio Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3 mil m3/s - maior que a do Rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do Rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.
As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d"água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, a s águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano (mais informações nesta página).
Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar.
Temperatura. Hamza e Elizabeth apontam a existência do que os pesquisadores chamam de "dois grandes sistemas de descargas de fluidos na Amazônia": o Rio Amazonas, com seus 6.100 km de extensão, e o fluxo oculto das águas subterrâneas.
Segundo os dados apresentados por Elizabeth, o fluxo subterrâneo é praticamente vertical - de cima para baixo - nos primeiros 2 mil metros. Depois, nas camadas mais profundas, muda de direção, tornando-se quase horizontal. Depois de atravessar as bacias do Solimões, Amazonas e Marajó, o rio alcança o fundo do mar, perto da foz do Amazonas.
Hamza argumenta que as descargas do fluxo subterrâneo de água doce poderiam explicar os bolsões de baixa salinidade comuns no litoral da região.
O geólogo Olivar Lima, da Universidade Federal da Bahia, assistiu à apresentação do trabalho e, na ocasião, mostrou aos autores mais dados, obtidos em outros poços perfurados pela Petrobrás na foz do Amazonas, que confirmam as conclusões do estudo. Porém, acha um exagero classificar a descoberta como um rio.
"Os resultados são muito bons", afirma Lima. "Só não acho correto propor a existência de um rio subterrâneo." Ele argumenta que os dados permitem afirmar a existência de um imenso fluxo de água através das formações permeáveis da Bacia Amazônica. Mas a velocidade seria muito baixa para justificar a categoria de rio.
Contudo, se por um lado a velocidade não se compara à de um rio convencional, o volume de água assume ordens de grandeza que tornariam compreensível tal comparação, reconhece o pesquisador.
A descoberta, por enquanto, não mudará a vida das populações que habitam a Bacia Amazônica. Como o rio está a uma profundidade muito grande e há muita água doce na superfície, não seria economicamente razoável perfurar a terra para acessar o curso d"água. O estudo pode ajudar, no entanto, a prospecção de petróleo.
PARA LEMBRAR
Há dois anos, cientistas italianos descobriram um rio subterrâneo que corre embaixo de Roma, mais extenso que o Tibre - o terceiro maior da Itália, com 392 quilômetros. Assim como o brasileiro, o rio subterrâneo italiano foi encontrado graças a dados de perfuração de poços.
No Brasil, outra reserva de água subterrânea é o Aquífero Guarani, com 45 milhões de litros. A maior parte fica no Brasil, mas ele também se estende no Paraguai, Uruguai e Argentina.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ministério Público do Trabalho voltou a atuar em Campos em junho e flagrou trabalho escravo


Por Bianca Pyl



Fiscalização trabalhista libertou 20 pessoas de condições análogas à escravidão, incluindo cinco adolescentes entre 16 e 18 anos de idade e seis mulheres, em Campos dos Goytacazes (RJ). Realizada no início de junho pelo grupo interinstitucional - formado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) -, a ação foi motivada por denúncia telefônica às autoridades.

De acordo com Marcela Ribeiro, procuradora do trabalho no município do Norte fluminense, as condições encontradas na Fazenda Lagoa Limpa eram degradantes. Os empregados rurais não recebiam água potável durante todo o dia de trabalho. Não havia instalações sanitárias nas frentes de trabalho. Também não havia local adequado para as refeições e nem para armazená-las, já que os empregados traziam a comida de casa. As vítimas trabalhavam sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e não tinham a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) assinadas.

A propriedade fiscalizada pertence a Walter Lysandro Godoy, que era responsável por dois trabalhadores que realizavam a limpeza do mato que nasce entre as fileiras da plantação de cana-de-açúcar. Os outros plantavam grama para a empresa Jardim do Éden Indústria e Comércio Ltda. ME.

Os empregados eram moradores da região de Campos dos Goytacazes (RJ) e trabalhavam no local desde abril. O MTE lavrou 13 autos de infração. As verbas rescisórias pagas a cada trabalhador superaram a quantia de R$ 1 mil. Os trabalhadores libertados também devem receber o Seguro Desemprego para Trabalhador Resgatado. A reportagem tentou, mas não conseguiu contato telefônico com os envolvidos no ocorrido.

Após o flagrante, os empregadores assinaram Termos de Ajuste de Conduta (TAC) se comprometendo a cumprir integralmente a legislação. Eles pagaram indenizações a título de dano moral individual e R$ 7,5 mil relativos ao dano moral coletivo. O valor será destinado a uma campanha publicitária para divulgação dos direitos dos trabalhadores rurais.

Nos últimos anos, repetidas inspeções verificaram a exploração de mão de obra escrava na região de Campos dos Goytacazes (RJ), especialmente no cumprimento de tarefas nas lavouras de monocultivo de cana.

DANDO OS ANÉIS PARA NÃO PERDER OS DEDOS: BILIONÁRIOS FRANCESES SEGUEM EXEMPLO DE WARREN BUFFET E PEDEM PARA PAGAR MAIS IMPOSTOS



Seguindo os mesmos passos do bilionário Warren Buffet que exigiu do congresso norte-americano mais impostos, agora apareceu um grupo de 16 bilionários franceses (entre eles a dona da L´Oreal) que querem a mesma coisa na França. Para estes bilionários franceses não há como se justificar tanto arrocho na classe média e nos trabalhadores sem que os chamados super-ricos também não tenham que ver a mordida do leão aumentar para o lado deles.

Mas que ninguém se engane. Aqui não se trata de filantropia ou de um repetino bom mocismo dos bilionários mundiais. É que os super-ricos são também super-sabidos, e sabem que se a asfixia continuar toda concentrada nos trabalhadores, o grande risco é matar a galinha dos ovos de ouro. Isso aconteceria se houvesse nos paÍses ricos uma espécie de primavera dos trabalhadores. Como já se viu no que anda dando a primavera dos árabes, os super-ricos franceses não estão querendo tomar o mesmo destino trágico de Maria Antonieta.

É a velha tática de entregar os anéis para preservar os dedos. Eu continuo esperando um gesto semelhante dos bilionários brasileiros com Eike Batista à frente. Por vias das dúvidas já sei que vou ter esperar sentado numa cadeira bem confortável!

terça-feira, 23 de agosto de 2011


MST ocupa área grilada da Cutrale em Iaras e cobra criação de assentamento pelo Incra


Cerca de 400 integrantes do MST ocupam desde as 6h, desta segunda-feira (22/8), a Fazenda Santo Henrique, de 2,6 mil hectares, no município de Iaras, na região de Bauru.

A ocupação realizada no município de Iaras reivindica a arrecadação da área para fins de Reforma Agrária e denuncia a indevida e criminosa utilização da área pela empresa Cutrale.

A área utilizada pela Cutrale tem origem pública e, de acordo com a lei, deve ser destinada à Reforma Agrária.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tem estudos que comprovam que a área é devoluta e disputa na Justiça a posse da Fazenda Santo Henrique.

O processo tramita na 1ª Vara da Justiça Federal de Ourinhos desde agosto de 2006 . A fazenda faz parte do Grupo Colonial Monção, um conjunto de fazendas comprado pela União em 1909 para projeto de colonização de mais de 100 anos. Juntas, somavam cerca de 40 mil hectares abrangendo terras em Agudos, Lençóis Paulista, Borebi, Iaras e Águas de Santa Bárbara.

Em negociação com o órgão federal, a Cutrale admitiu que a área não é regular e fez o compromisso de repassar uma área para o assentamento das famílias acampadas na região. No entanto, a empresa não cumpriu e o Incra até agora não tomou nenhuma atitude.

Em 2009,o então superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires Silva, afirmou que a fazenda "é um patrimônio público, pertence ao povo".

A Cutrale, desde a década de 1980, está envolvida em crimes contra o trabalho e a economia brasileira, sempre se utilizando da ausência e da complacência do Estado.


A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, que acontece a partir de hoje em vários estados onde o MST está organizado e também em Brasília

O Movimento participa do Acampamento Nacional da Via Campesina, com o objetivo de pressionar o governo frente à paralisia no atendimento da pauta dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais.

domingo, 21 de agosto de 2011


Greenpeace divulga relatório reunindo resultados de pesquisas que mostram impactos dos herbicidas à base de glifosato

Produtores e meio ambiente estão expostos diretamente ao veneno, mas indiretamente ele chega aos consumidores via alimentos contaminados


O relatório traz em detalhes evidências que demonstram que os produtos à base de glifosato podem ter efeitos adversos sobre a saúde humana e animal, e que sua reavaliação toxicológica deve ser realizada com urgência. No Brasil, o produto está entre os 14 ingredientes ativos ora revisados pela Anvisa, apesar dos percalços perpetrados por ruralistas e seus apoiadores no Congresso e no governo.

Produtores e meio ambiente estão expostos diretamente ao veneno, mas indiretamente ele chega aos consumidores via alimentos contaminados. O relatório aponta que os limites máximos permitidos de resíduos foram definidos pelo Codex Alimentarius da FAO e OMS, mas questiona o fato de eles terem sido calculados mais com base em certas práticas agrícolas do que em valores que assegurem a saúde humana. É o que se vê aqui. O limite de resíduos permitido na soja foi multiplicado por 50 e o do milho por 10, pelo governo brasileiro, quando essas plantas transgênicas foram liberadas. Sem qualquer justificativa técnica.

Treŝ principais problemas de saúde

O nascimento de bebês defeituosos na província do Chaco, na Argentina, quase quadruplicou entre 2000 e 2009. A região é grande produtora de soja. Efeito semelhante foi observado em paraguaias expostas ao herbicida durante a gestação.

Estudos publicados demonstram vários efeitos endócrinos em animais e células humanas associados ao glifosato, fazendo com que ele seja visto como potencial disruptor endócrino.

Outras pesquisas vinculam a exposição ao glifosato com o surgimento linfoma não-Hodgkin, espécie de câncer no sangue. Ademais, existem evidências de que o produto pode afetar o sistema nervoso e, assim, estar implicado com o mal de Parkinson.

Do ponto de vista ambiental, pesquisadores independentes vêm demonstrando que a dupla soja transgênica mais herbicida Roundup reduz a absorção de micronutrientes, essenciais para o crescimento das plantas, reduz a fixação biológica de nitrogênio do ar, que dispensaria nitrogênio químico, e aumenta a susceptibilidade das plantas a doenças.

O desenvolvimento acelerado de mato resistente ao glifosato é um dos efeitos mais documentados nesses 15 anos de cultivos transgênicos e um dos fatores que mais atormentam os agricultores, que, segundo as empresas, seriam os maiores beneficiados pela tecnologia. São mais de 20 espécies de plantas, distribuídas em mais de 100 biotipos, que não são mais controladas pelo agrotóxico, principalmente na América.

Além dos efeitos decorrentes de sua introdução no meio ambiente e uso em escala, o estudo ainda lembra um problema inerente aos organismos transgênicos, que é a imprecisão do método de transferência de genes e a possibilidade de que se produzam efeitos indesejados ou não-intencionais. Esses são descartados pelos órgãos reguladores pois seriam muito custosos ou difíceis de testar ou prever... Aí prevalecem os interesses de mercado.

Por fim,o Greenpeace chama atenção para o fato de que os transgênicos estão intrinsecamente ligados a práticas agrícolas insustentáveis que prejudicam os recursos naturais, sobre os quais se assenta a própria produção agrícola. Por esse motivos, e pelos demais impactos descritos no estudo, a organização defende que o cultivo das plantas transgênicas deveria ser proibido.

Disponível em espanhol na página do Greenpeace ; o original em inglês pode ser obtido em:http://www.greenpeace.org/argentina/es/informes/Herbicide-tolerance-and-GM-crops-/

AS-PTA - EcoAgência