segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia Nacional da Consciência Negra e Semana Internacional de Combate à Violência contra a Mulher


ATO NO CALÇADÃO DE CAMPO GRANDE

dia 19/11 as 9hs

Participe!! Ajude a divulgar!!



ESSE É O LATIFÚNDIO AGINDO: POLÍCIA FEDERAL indicia EX-MINISTRO WAGNER ROSSI COMO LÍDER DE ESQUEMA CRIMINOSO


Além de chefiar desvio de R$ 2,7 mi, ex-ministro é acusado de peculato e fraude em licitação

FAUSTO MACEDO - O Estado de S.Paulo




Relatório de 40 páginas da Polícia Federal descreve o modus operandi do ex-ministro Wagner Rossi (Agricultura), apontado como "líder da organização criminosa" que teria arquitetado fraude no Programa Anual de Educação Continuada (Paec) - capacitação de servidores - para desvio de R$ 2,72 milhões. A PF vai indiciá-lo criminalmente nesta semana, imputando a ele formação de quadrilha, peculato e fraude à Lei de Licitações.

Segundo o relatório, a investigação descobriu "verdadeira organização criminosa enraizada no seio do Ministério da Agricultura". A PF sustenta que "os investigados, muitos travestidos de servidores públicos, atuavam no âmbito de uma estrutura complexa e bem definida, agindo com o firme propósito de desviar recursos da União".

Rossi foi o quarto ministro do governo Dilma Rousseff a perder o cargo. Ele caiu em agosto, após denúncias de tráfico de influência, falsificação de documento público, falsidade ideológica, corrupção ativa e distribuição de propinas a funcionários que teriam participado do procedimento administrativo que ensejou a contratação da Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da PUC-SP.

Lobista

O relatório é subscrito pelo delegado Leo Garrido de Salles Meira. Além do ex-ministro, ele decidiu indiciar outros oito investigados, inclusive o ex-chefe de gabinete Milton Elias Ortolan. A PF confirmou denúncia da revista Veja, que revelou que o lobista Júlio César Fróes Fialho detinha poderes excepcionais na pasta, embora não tivesse vínculo formal com a pasta.

"Toda a trama inicia-se com a associação do lobista com a cúpula do Ministério da Agricultura", assinala a PF. "O plano consistiria em direcionar a execução do programa de capacitação de servidores para determinada instituição de ensino, da qual seria exigida vultosa quantia." A PF destaca que Rossi, Ortolan e Fróes "dando prosseguimento à trama delituosa, associaram-se a dois professores da PUC".

O lobista teria exigido contrapartida de 28% do valor bruto do contrato. Segundo a PF, "a organização criminosa, quando se viu compelida pela consultoria jurídica a efetivar uma pesquisa de preço para dar respaldo à contratação da PUC-SP por dispensa de licitação, passou a forjar diversos documentos".

Para a PF, os gestores da Fundasp "foram ludibriados". O plano falhou quando a servidora Joana Luiza Gonçalves da Silva exigiu apresentação de notas fiscais, o que teria provocado intervenção direta de Rossi.

OS DIFERENTES SIGNIFICADOS DA PALAVRA JOBS EM INGLÊS E SEUS DIFERENTES PERSONAGENS
 

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Na Grécia
 

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Na Itália

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TRABALHO ESCRAVO DE CRIANÇAS NO CORAÇÃO DO AGRONEGÓCIO PAULISTA
O latifúndio travestido de agronegócio é saudado como símbolo da vitória da modernidade na agricultura brasileira, e artistas globais são contratados para lhe conferir legitimidade. Mas não há nada como uma operação de repressão ao trabalho escravo para provar que esta suposta modernidade é apenas uma farsa. Vejam notícia abaixo dando conta da descoberta de trabalho escravo envolvendo até crianças no rico município de São Carlos, símbolo da "modernidade" do latifúndio paulista.

Pois é, se colocar crianças em condição de trabalhador escravo for modernidade, o latifúndio é muito moderno.

Ministério Público do Trabalho encontra crianças em trabalho escravo e alojamentos precários

Além de sete crianças, entre 7 e 15 anos, em situação de trabalho escravo em uma fazenda de São Carlos, a fiscalização do Ministério Público do Trabalho (MPT) encontrou, nesta quinta-feira (27), famílias vivendo em alojamentos precários e várias irregularidades trabalhistas.

O MPT contou com o apoio da Polícia Militar e Conselho Tutelar. Um menino de 7 anos foi encontrado trabalhando com o pai na plantação de tomate da propriedade. Ele já passou mal por causa do veneno, já que não há nenhum tipo de proteção durante a aplicação.

Uma outra criança, de 10 anos, conta que está proibida de ir à escola. “A gente quer ir, mas o patrão disse não pode faltar na roça”, disse.

O expediente durava quase 10 horas. “A gente vem às 7h30 e volta 17h”, explicou um menino de 10 anos.

As sete crianças não recebiam salário. “Trabalhamos para ajudar os pais, não ganha nada. Não tem descanso. Só de sexta e ele ainda arranja serviço pra gente fazer”, disse uma delas.

Além disso, os trabalhadores rurais do local não estão registrados. Eles recebem os R$ 600 de salário em um cheque pré-datado para 30 dias. Eles ainda só podem fazer compras em um supermercado indicado pelo patrão. “A gente faz lá e desconta 3%. Pra mim é coisa de escravo”, disse o trabalhador rural Maurici Henrique dos Santos.

Alojamentos

Ao todo, seis casas usadas pelas famílias foram interditadas por irregularidades.

Em uma delas, os moradores têm que cozinhar em um fogão a lenha. Parte do teto da cozinha está destelhado. Sem geladeira, os alimentos são armazenados de forma inadequada.

Com apenas um quarto, o casal dorme na sala. Em outro cômodo, que não tem iluminação, dormem quatro crianças. As camas foram improvisadas em cima de caixas e até de uma geladeira antiga.

Muitas casas estavam com fios elétricos expostos. Os fiscais também encontraram caixas d’água sujas e veneno jogado perto de um rio.

Outro caso

Essa foi a terceira fiscalização no mesmo lugar. O gerente regional do trabalho de São Carlos, Antônio Valério Morillas Júnior, não tem muita esperança de que os problemas acabem de uma vez. “O que nos deixa preocupados é que a lei é branda. As penalidades são bem pequenas”, lamentou.

Em 2009, a reportagem da EPTV acompanhou uma vistoria na mesma fazenda e também foram encontradas cinco crianças trabalhando, sendo duas de 13 anos. Na época, os trabalhadores contaram aos fiscais que não tinham dia de descanso e nem carteira assinada. Além da falta de equipamentos de segurança, as moradias eram inadequadas.

O dono da fazenda e o arrendatário, que não foram localizados para falar sobre o assunto, devem responder exploração do trabalho infantil, crime ambiental, trabalho escravo e racismo, que foi denunciado por um trabalhador.

Os trabalhadores, que devem ser retirados da fazenda e receber seguro desemprego, vão prestar depoimento no Ministério do Trabalho na manhã desta quinta-feira (27) e, depois disso, o dono da fazenda e o arrendatário serão notificados.

De acordo com Morillas, o Conselho Tutelar vai acompanhar as crianças e fazer com que todas voltem a estudar.

domingo, 30 de outubro de 2011

MOVIMENTO "OCCUPY" CONVOCA GREVE GERAL NA CIDADE DE OAKLAND PARA O DIA 02 DE NOVEMBRO

Após os confrontos que vitimaram o veterano de guerra Scott Olsen na cidade de Oakland na Califórnia, o movimento "Occupy Oakland" está convocando uma greve geral para o dia 02 de Novembro como mostra o cartaz abaixo. Vamos ver a grande imprensa notícia, e o que fazem os policiais de Oakland. Será que teremos outras vítimas feridas com gravidade?



GOVERNO DILMA ACELERA O LICENCIAMENTO AMBIENTAL "FAST FOOD" PARA MELHORAR SERVIR O INTERESSE DAS CORPORAÇÕES

O governo Dilma Rousseff decidiu rasgar a fantasia de vez em relação a um suposto compromisso com a proteção dos ricos ecossistemas ambientais e das comunidades que tradicionalmente os habitam em diferentes pontos do território brasileiro. É o governo Dilma levando às ultimas instâncias a política do licenciamento ambiental "Fast Food" inaugurada no governo Lula pelo pseudo-ambientalista Carlos Minc.

Dilma, que se elegeu  pelo mantra de ser a dama do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) chegou até a ensaiar um apaziguamento com as entidades ambientalistas durante a campanha eleitoral, e alguns tolos acreditaram que isto para ser levado a sério.

Mas agora a "dama do PAC" decidiu agilizar ainda mais a emissão de licenças ambientais e, de quebra, diminuir as exigências que poderão ser feitas pelo IBAMA. Para piorar, esta nova fase do licenciamento ambiental "Fast Food" ainda poderá implicar no perdão de fato para empreendimentos como portos e rodovias que foram construídos e estão sendo operados sem o devido processo de licenciamento ambiental. A atual ministra Izabella Teixeira afirmou ao jornal FOLHA DE SÃO PAULO que entre as medidas do novo modelo serão retiradas as exigências das medidas compensatórias para as comunidades afetadas direta ou indiretamente por determinados empreendimentos. Um exemplo disto seria o caso da construtora de uma rodovia que foi obrigada a pagar pelo tratamento dentário de uma população quilombola que teve seu território afetado pelo empreendimento. Para  ministra, não haveria relação entre os impactos da rodovia com a arcada dentária dos quilombolas. Tanta sensibilidade socioambiental de uma ministra de meio ambiente só poderia vir mesmo de um governo liderado por uma presidente que tem se mostrado uma excelente amiga das corporações, especialmente dos banco, empreiteiras, e sem falar do latifúndio.

E pensar que no ano que vem teremos a Conferência Mundial do Meio Ambiente no Rio de Janeiro, a Rio +20. Do jeito que vão as coisas no governo Dilma é bem possível que nesta conferência se proponha o fim de todas as medidas mundiais de proteção ao ambiente em nome da recuperação da economia mundial. É só esperar e ver.
GOVERNO DA TAILÂNDIA É ACUSADO DE TENTAR CENSURAR BLOG SOBRE ENCHENTES

O governo do primeiro-ministro tailandês Yingluck Shinawatra foi acusado, por veículos locais, de tentar censurar o site de jornalismo-cidadão Thaiflood, que forneceu informações cruciais sobre as enchentes que inundaram 1/3 das províncias do país. Pelo menos 350 pessoas morreram e milhões foram deslocadas por conta do desastre natural.

Noticiários locais informaram que o Centro de Operações de Auxílio à Enchente emitiu uma ordem para que o blog Thaiflood submetesse suas matérias à aprovação do governo antes de serem publicadas. A equipe do blog estava sediada no órgão e trabalhou de maneira colaborativa com o governo por duas semanas. A relação azedou depois da tentativa de controle. Depois disso, a equipe passou a trabalhar em um escritório particular, publicando também atualizações via Twitter, com a hashtag #thaiflood. Assim, não há interferência do governo – mas também não há acesso ao centro de comando.

Informação independente

O fundador do blog, Poramote Minsiri, contou que se opôs aos pedidos de aprovação das notícias. “Falei que não poderia fazê-lo. Em uma crise, as pessoas estão esperando a informação para sua própria sobrevivência”, afirmou, acrescentando que o governo divulgou informações inadequadas e que sua equipe de crise estava passando por divergências.

“Pedimos ao governo para parar de interferir em sites de notícias independentes que estão desempenhando um papel crucial em manter o público informado sobre o desastre”, afirmou Shawn Crispin, representante do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) no Sudeste Asiático. “É essencial que em uma crise o público tenha acesso a notícias não censuradas, independentes, de modo a proteger suas vidas e salvar outras”.

O governo de Yingluck foi criticado por sua resposta à tragédia natural, que agora ameaça inundar Bancoc. Diversas agências estatais emitiram relatos divergentes e previsões erradas sobre a intensidade e direção da inundação. Estima-se que esta seja a pior enchente na Tailândia nas últimas cinco décadas. Informações do CPJ [25/10/11].


sábado, 29 de outubro de 2011

Escravidão sem fim: pesquisa revela quem são os trabalhadores e os fazendeiros escravocratas


Estudo divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) traçou, pela primeira vez, o perfil das vítimas do trabalho escravo no país. Elaborado a partir do depoimento de 121 trabalhadores resgatados entre 2006 e 2007, o estudo mostrou a baixa escolaridade dos resgatados e a falta de ações para criar oportunidades nas regiões que mais fornecem este tipo de mão de obra.

Em 67% das famílias de trabalhadores libertados, existiam crianças e adolescentes, sendo que 28% (quase um terço) delas eram beneficiárias do Bolsa Família. O levantamento revelou também que quase 60% dos trabalhadores resgatados no país já foram escravizados antes e que a fiscalização do governo conseguiu libertar apenas 12,6% do universo de trabalhadores nestas condições, de acordo os dados do Ministério do Trabalho.

A pesquisa apontou forte relação entre trabalho escravo e infantil no país: 92,6% do total de entrevistados começaram a trabalhar antes dos 16 anos. Na média, aos 11,4 anos, mas cerca de 40% já trabalhavam antes.

Segundo Luiz Antonio Machado, coordenador do projeto da OIT de combate ao trabalho escravo no Brasil, o Bolsa Família ajuda a reduzir a vulnerabilidade dos trabalhadores porque melhora a alimentação das famílias. Mas, por si só, não evita que os chefes dessas famílias se submetam a condições degradantes de trabalho, com cerceamento de liberdade - o que caracteriza o trabalho escravo.

O Bolsa Família é insuficiente e a fiscalização não consegue cobrir todo o país ou mesmo os estados com maior concentração (da irregularidade) - afirmou Machado.

Agropecuária concentra trabalho escravo

Machado destacou que o alto índice de recorrência - 59,7% dos resgatados já haviam estado na situação de escravidão anteriormente - deve-se à falta de alternativas, restando aos trabalhadores sem qualificação nas áreas rurais apenas a "empreitada", que exige só força física. Segundo ele, também é preciso investir em campanhas de conscientização frequentes para estimular os próprios trabalhadores a fazerem a denúncia. Na maioria das vezes, eles são liberados no fim da empreitada sem receber pelo serviço.

A renda média declarada desses trabalhadores foi de 1,3 salário mínimo, sendo que 40% informaram ser o único responsável pela renda das famílias que têm, em média, 2,4 filhos.

Ele defende a necessidade de ações complementares para tornar as politicas mais efetivas. Entre elas, estimular a criação de empregos nos locais de residência dos trabalhadores e oferecer cursos de capacitação profissional.

De acordo com a pesquisa, 85% dos trabalhadores entrevistados, além de terem baixíssima escolaridade (analfabetos e com menos de quatro anos de estudo), nunca fizeram curso de qualificação. No entanto, 81,2% declararam que gostariam de fazer algum curso, principalmente os mais jovens (95,2% dos que têm menos de 30 anos). A preferência recai nas áreas de mecânica de automóveis, operação de máquinas, construção civil (pedreiro, encanador, pintor) e computação.

Maranhão, Paraíba e Piauí são os exportadores de mão de obra escrava para outros estados. Eles estão entre as principais origens dos trabalhadores resgatados em Goiás (88%) e no Pará (47%). No Mato Grosso e na Bahia, 95% deles eram da própria região.

Segundo a OIT, a agropecuária continua sendo o setor de maior concentração de trabalho escravo, sobretudo nas fazendas de cana-de-açúcar e produção de álcool, como é o caso do Pará; plantações de arroz (Mato Grosso); culturas de café, algodão e soja (Bahia); e lavoura de tomate e cana (Tocantins e Maranhão).

Segundo a pesquisa, o aliciamento se dá, na maioria dos casos, pela rede de relações pessoais; os "gatos" (aliciadores) e escritórios que funcionam como agências de emprego aparecem em segundo lugar. Em terceiro estão hotéis, pensões e locais públicos, como rodoviárias, estações de trem e ruas das cidades.

O conceito de trabalho escravo apontado pela OIT considera, além das condições precárias (falta de alojamento, água potável e sanitários, por exemplo), cerceamento à liberdade pela presença de homens armados, dificuldades de acesso às fazendas e dívidas contraídas de forma forçada pelos trabalhadores para pagar alimentação e despesas com ferramentas usadas no serviço.

O Ministério do Trabalho informou que a pasta não comentaria a pesquisa porque o responsável pela área de fiscalização estava incomunicável ontem

Quem escraviza é jovem, bem formado, da região sudeste e filiado a partidos

BRASÍLIA. A pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre o perfil das vítimas de trabalho escravo definiu também quem são os fazendeiros acusados de explorar esse tipo de mão de obra. Com base na chamada Lista Suja do Ministério do Trabalho e nos depoimentos de 12 dos 66 contactados, que aceitaram participar do estudo, a entidade concluiu que a maioria deles nasceu no Sudeste, tem boa formação (curso superior completo) e é filiada a partidos políticos.

Com idade média de 47,1 anos e cor branca, a maioria nasceu em cidades de Rio, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo e optou por residir próximo às fazendas, nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

Formados em Administração de Empresas, Engenharia Agrônoma e Medicina Veterinária, declararam como ocupação serem pecuaristas, fazendeiros, administradores, comerciantes e veterinários. Alguns dos entrevistados informaram ser filiados ao PMDB, ao PSDB e ao PR. A maioria deles disse não acreditar na existência de trabalho escravo no Brasil.

Quem está na Lista Suja do governo fica impedido de tomar crédito em instituições públicas federais - iniciativa destacada no estudo da OIT.

Os aliciadores (gatos) também têm baixa escolaridade como os aliciados e idade média de 45,8 anos. A maior parte nasceu no Nordeste e vive nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Além de entrevistas com os envolvidos, a OIT utilizou os dados do Ministério do Trabalho, entre 2002 e 2007, quando foram resgatados 9.762 trabalhadores. (Geralda Doca)

 20 mil escravos no país

JÚNIA GAMA- correio Braziliense 26 outubro de 2011.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou ontem um perfil do trabalho escravo rural no Brasil, indicando que 81% das pessoas que vivem em condições análogas à escravidão são negras, jovens e com baixa escolaridade. O estudo foi feito a partir de entrevistas com pessoas libertadas, aliciadores e empregadores em fazendas do Pará, Mato Grosso, Bahia e Goiás entre 2006 e 2007.

Além da predominância da raça negra, o documento aponta que cerca de 93% dessas pessoas iniciaram a vida profissional antes dos 16 anos, o que configura trabalho infantil, e que quase 75% delas são analfabetas. O estudo identificou que a maioria dos empregadores e dos aliciadores, os chamados "gatos", é branca.

Para o coordenador da área de combate ao trabalho escravo da OIT, Luiz Machado, o dado reflete a condição de vulnerabilidade da população mais pobre ao trabalho escravo, composta maioritariamente por negros. "Isso é um resquício da exploração colonial", atestou. O fato de não terem frequentado escolas na infância também é destacado pelo coordenador como um indutor do problema. "O trabalho infantil tira as possibilidades futuras e facilita o caminho ao trabalho escravo. Pessoas sem escolaridade não têm oportunidades."

O Ministério Público do Trabalho (MPT) estima que cerca de 20 mil pessoas estejam submetidas ao trabalho forçado ou degradante no Brasil hoje. Desde 1995, mais de 40 mil trabalhadores foram libertados no país, que assumiu um compromisso internacional para erradicar a prática até 2015. A coordenadora nacional de Combate ao Trabalho Escravo do MPT, Débora Tito, relata que as políticas sobre o tema têm se concentrado no que ela chama "pedagogia do bolso".

A ideia é enfrentar o problema por meio de multas altas e da inserção de nomes de empregadores em cadastros negativos para que deixem de conseguir financiamentos de bancos. "Temos que tornar essa prática economicamente inviável, para que os fazendeiros parem de economizar à custa da dignidade do trabalhador", disse a procuradora. Segundo ela, a pena para punir o empregador de trabalho análogo ao escravo é de dois a oito anos de prisão, mas existem poucas condenações no país.

Convenção

As centrais sindicais que representam os servidores públicos das três esferas do governo estão se debatendo para definir o projeto de lei que tratará de temas como direito de greve, negociação coletiva e liberação de dirigentes sindicais de bater o ponto para se dedicar aos assuntos das categorias, itens da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que deverá ser regulamentada até o fim do ano. Em audiência pública na Câmara ontem, a queda de braço girou em torno da cobrança do imposto sindical, um desconto no contracheque de um dia de salário ao ano, a exemplo do que ocorre com os trabalhadores da iniciativa privada.

MOVIMENTO CONTRA A GUERRA, OUTRA FACE DO DESCONTENTAMENTO SOCIAL NOS EUA


No Brasil a imprensa joga um papel fundamental na manutenção de que os EUA são uma sociedade monolítica fundada na certeza da vitória do mercado sobre o comunismo, e onde não há opinião dissonante. Ao pintar os norte-americanos como monolíticos, o que os representantes do grande capital na imprensa brasileira procuram fazer é contribuir para manter a discordância interna como algo que não faz mais sentido histórico, já que o Capitalismo "venceu".

Pois bem, a agressão contra o ex-fuzileiro naval Scott Olsen revela, ainda que forma acidental, que existem organizações protestando contra as guerras movidas pelo governo norte-americano. Scott Olsen é inclusive membro da organização "Veteranos do Iraque contra a Guerra".  Esse encontro de movimentos promete sacudir ainda mais os EUA num momento em que a crise econômica não dá sinais de que vai passar.







EX-FUZILEIRO NAVAL É FERIDO EM MANIFESTAÇÃO DO OCCUPY OAKLAND E VIRA DOR DE CABEÇA PARA O GOVERNO NORTE-AMERICANO
Os EUA adoram pregar seus ditos valores democráticos para o resto do mundo. Aliás, a constituição americana garante o direito de livre expressão e o de reunião pública. Pois bem, o chamado movimento OCCUPY WALL STREET está testando estas garantias constitucionais e a disposição do Estado para cumprir essas regras pétreas da Constituição. E até agora, o Estado norte-americano vem falhando miseravelmente, pois a repressão está sendo ampla, geral e irrestrita.

No entanto, um caso entre muitos casos se tornou emblemático e problemático, o do ex-fuzileiro naval Scott Olsen, de 24 anos e com dois tours de guerra no Iraque, que foi ferido na cabeça por um projétil arremessado pela policia da cidade de Oakland na Califórnia e teve seu crânio fraturado. Para quem não entende o simbolismo disto é preciso dizer que os veteranos de guerra são respeitados ao ponto da veneração pela maioria dos americanos, o que torna a agressão quase mortal a Olsen um tremendo embaraço. Afinal de contas, quem sobreviveu a uma guerra no Oriente Médio quase morreu pelas mãos da polícia de sua própria cidade. Para piorar, apesar de ter sobrevivido ao ataque da polícia, Olsen foi atingido no centro da fala, o que está impedindo que ele fale, apesar de sua condição ter evoluído positivamente.

Em um dos atos chamados para protestar contra o ataque policial que vitimou Scott Olsen, o cineasta Michel Moore fez uma afirmação que tem ampla ressonância até com o que se vê no Brasil, vide o caso da USP. Moore afirmou aos presentes no protesto que:

"Nós temos visto a crescente militarização dos nossos departamentos de polícia porque o congresso gastou bilhões de dólares comprando armamentos para equipá-los, e até equipamentos de espionagem para prepará-los para o que eles acreditam ser inevitável. Mas cedo ou tarde as pessoas não vão querer aturar mais essa situação".

Pois é,  está com todo jeito de que ainda veremos muitos outros Scott Olsen tombando pelas praças cheias de manifestantes pelos Estados Unidos afora. É só esperar e conferir.



A POLÍCIA DENTRO DA USP: O ESPECTRO IDEOLÓGICO DA DITADURA DE 1964 PAIRA SOBRE NÓS

O assassinato de um estudante no campus principal da Universidade de São Paulo deu ao seu reitor, João Grandino Rodas, uma oportunidade impensável em outros tempos: autorizar a presença de contingentes da Polícia Militar paulista para realizar uma espécie de policiamento mais intensivo. Que se diga a favor do reitor Rodas que ele não simplesmente baixou um decreto imperial para fazer isto, mas teve apoio de parte significativa das lideranças institucionais, inclusive o egrégio Conselho Universitário da USP.

Agora passados poucos meses da instalação espécie de UPP universitária, o conflito explodiu a partir de um ato supostamente prosaico: a detenção de três estudantes que estavam fumando maconha num gramado próximo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Mais do que rapidamente a imprensa, o governo de São Paulo, a reitoria e até muitos estudantes da USP tentam pintar o incidente como sendo a reação de uma minoria de radicais contra algo que a maioria quer. 

Mesmo que se aceite a versão de que a maioria quer a PM policiando a USP, algumas perguntas podem ainda ser feitas a todos os apoiadores desta medida:

1. qual é o índice de crimes em geral da USP em relação ao restante da cidade de São Paulo?
2. os contigentes policiais sendo utilizados na USP foram treinados para interagir com um ambiente acadêmico onde estas forças não são necessariamente bem aceitas?
3. por que a USP não realiza concursos públicos para aumentar o que se convencionou chamar de vigilância universitária? Aliás, quando foi que se fez o último concurso para contratar servidores desta área na USP?
4. se a PM está no campus da USP para "proteger" a sua comunidade universitária, em que aspecto a repressão ao uso de maconha isso se insere?

O mais fascinante nisto tudo é notar que apesar de terem se passado mais de um quarto de século após o término formal do regime militar, ainda tenhamos um peso tão brutal de sua dominação ideológica dentro da direção de uma das melhores universidades do mundo. Se a USP, está assim. que dirá do resto.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

SERÁ QUE ALGUM SE SURPREENDEU? Wikileaks aponta William Waack como informante  do governo dos EUA patrocinado pela CIA


encerramento ainda que provisório das atividades do site Wikileaks, que compôs até agora o novo cenário de insurgência da cidadania mundial contra a manipulação secular de governos e da grande mídia internacional, foi recebido com festas no Brasil.

Ao mesmo tempo em que espocaram rojões na Casa Branca tilintaram taças no gabinete dos irmãos Marinhos, agastados com documentos sigilosos trazidos a público pelo site há pouco menos de 2 meses atrás, os quais permitiram saber que um dos seus mais influentes âncoras de telejornais, Wiliam Waack, era informante regular do governo americano.

O jornalista, que conduz um dos mais direitistas telejornais da TV brasileira, o Jornal da Globo, é moderador também de um programa de debates sobre política internacional que prima pela parcialidade, trazendo regularmente como convidados uma maioria de ex-embaixadores octogenários que possuem em comum o mais evidente ranço contra a política externa que vem sendo implementada com sucesso pelo Itamaraty faz quase 10 anos.

Política exitosa porque consulta os interesses de projeção continental do Brasil na América latina e no mundo, num contexto em que o descolamento da crise mundial logrado pelos países emergentes e a integração entre eles, passou a constituir o novo eixo de estabilidade da política e da economia internacional.

Em virtude de que as novas orientações de política externa não mais se coadunam nem com os interesses americanos, que se preocupam com o cosmopolitismo nacional, nem com os do estado de Israel, influente no “stablishment” norte- americano e que se ressente do apoio à causa da autonomia dos povos árabes, o Departamento de Estado americano buscou fincar estacas nos meios de comunicação especializados em política internacional do Brasil.

No que se suspeita ser um caso de infiltração da CIA nas instituições do país, o jornalista Waack foi indicado por instâncias daquele governo estrangeiro para sustentar posições na mídia brasileira afinadas com as grandes linhas da política externa americana. Por essa razão é que se sentiu à vontade de protagonizar insólitos episódios na programação que conduz, nos quais não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro.

Por essa razão é que Waack mantém-se como âncora, mesmo quando a emissora viu-se forçada a promover uma dança das cadeiras a fim de intentar um novo alinhamento político com vistas a relacionar-se com o governo federal para poder interferir em temas de seu interesse e que deverão ser objeto de decisão no próximo período, como a abertura do mercado de TV a cabo para as empresas de telefonia, a universalização da banda larga e a regulamentação da mídia.

Os documentos divulgados pelo Wikileaks de encontros regulares de Waack com o embaixador do EUA no Brasil e com autoridades do Departamento de Estado e da embaixada de Israel mostram que sua atuação atende a outro comando que não aquele instalado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Aceitam os Marinhos a autonomia de Waack sobre seus programas porque são atendidos eles mesmos em interesses menos defensáveis junto a grandes estúdios americanos e bancos estadunidenses.

O site Wikileaks cantou a bola. Agora é preciso que o governo brasileiro aja e defenda os interesses do país contra ações de espionagem e de manipulação de programas jornalísticos que em razão de abordagens unilaterais procuram desmoralizar políticas legitimamente validadas pelo voto do eleitor brasileiro.


ESTRADAS E HIDRELÉTRICAS AMEAÇAM OS POVOS TRADICIONAIS DA AMAZÔNIA



A bacia Amazônica se transformou nos últimos anos na vaca das tetas de ouro do capitalismo mundial. A sua vasta extensão territorial não apenas contém minérios de todo tipo, mas um elemento essencial para o futuro da Humanidade: água, muita água.

Mas o que está caracterizando de forma mais evidente essa volúpia de ocupar a qualquer custo a região que concentra a maior parte da biodiversidade existente no planeta Terra é a busca de fontes de energia e meios de escoar a produção do agronegócio exportador, independente dos limites nacionais em que este esteja atuando.

Os recentes protestos indígenas na Bolívia que bloquearam os planos de construção de uma estrada que passaria pelo centro de uma região cheia de reservas indígenas e áreas protegidas é apenas uma gota da chuva de destruição que cai sobre ecossistemas naturais e populações tradicionais da Amazônia.

Mas que ninguém se engane: o Estado e as corporações atuando no Brasil são responsáveis diretos por grande parte desta ameaça. A construção de usinas hidrelétricas nos rios Madeira e Tapajós faz parte de uma plano muito mais amplo de alteração dos padrões de ocupação territorial da Amazônia brasileira. E neste percurso os povos indígenas, seringueiros, ribeirinhos e caboclos são como verdadeiros "cabras marcados para morrer". 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cuidado: Zizek pode estar certo!

Em "Primeiro como tragédia, depois como farsa", lançado simultaneamente pela Verso ( Londres) e Flamarion (Paris) em 2009, Slavoj Zizek pergunta se estamos preparados para a história que se impõe sobre nossas cabeças desde os ataques de 11 de setembro. Ele mostra as manobras por detrás das ideologias levantadas pela crise de 2008 e que levou bilhões de dólares para os bancos. Para Zizek, o que é profundamente ideológico é tratar as crises do capitalismo como algo estranho ao próprio capitalismo, ideia que deseja vender a imagem de um mercado capitalista regulado de outro modo. Ao contrário, ele nos mostra cada vez mais o capitalismo sobrevivendo abaixo de terapias de choque, mercado que exige violência extra-mercado para seu funcionamento. 

Para Zizek, a tarefa da esquerda critica é expor as características mortais do sistema capitalista mundial. Ele sabe que há algo de pobre na sociedade e acredita profundamente que o comunismo será reinventado para sanar a sociedade. E para isso, dirige-se aos comunistas desiludidos "- não tenha medo de se juntar a nós. Você já teve seu divertimento anticomunista e está perdoado por ele. É tempo de se levar a sério de novo". 

Ele vai além, mostra o mal-estar e a falta de sentido da democracia moderna e faz a pergunta paradoxal: estamos realmente vivendo em uma democracia? "A Itália de hoje é efetivamente uma espécie de laboratório experimental de nosso futuro", diz. Sua revolta é: como é possível admitir que milhares morram de fome enquanto os bancos enriquecem com seus trilhões de dólares?

Parábola de Buda sobre a casa em chamas


Poema de Bertolt Brecht 





“Numa ocasião, vi uma casa pegando fogo.

As chamas saíam pelo telhado.

Quando me aproximei, vi homens em seu interior.

Avisei que o teto estava queimando,

Mas não tinham pressa.

Um deles, enquanto suas sobrancelhas começavam a arder,

Perguntou-me como estava o tempo aqui fora, se a chuva continuava,

Se a ventania parara, se havia outra casa nas redondezas e assim por diante.

Não respondi e me afastei.

Na realidade, meus amigos, aos indiferentes que não vêem motivos para mudar

Não tenho nada a dizer”.



Força Nacional protege testemunhas da morte de ambientalista no Pará



Uma equipe da Força Nacional foi enviada para Altamira (PA) para garantir a proteção a duas testemunhas da morte do comerciante e ambientalista João Chupel Primo, 55 anos, conhecido como João da Gaita. Ele foi morto com um tiro na cabeça em sua oficina, onde também morava, em Itaituba (PA), neste sábado (22). Ninguém foi preso.

A Coordenação Regional do Programa de Proteção à Vida da Secretaria de Direitos Humanos (SEDH), no Pará, incluiu o extrativista Raimundo Belmiro, entre os cidadãos a serem protegidos após a morte de João da Gaita. Oito policiais da Força Nacional vão ficar na região por cerca de 90 dias.

O Ministério Público Federal (MPF) tem três procuradorias atuando no caso, em Altamira, Belém e Santarém. No último sábado, após as denúncias protocoladas por João da Gaita, pediu que a Polícia Federal abra inquérito para investigar os crimes ambientais na região.

Segundo o delegado Silvio Maués, João da Gaita teria perdido recentemente uma terra, que era de sua propriedade, em uma reserva ambiental.

Ao G1, Maués disse que o comerciante fez uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) sobre exploração ilegal de madeira na região da reserva extrativista de Riozinho do Anfrisio e da Floresta Nacional do Trairão, mas descartou que ele tivesse envolvimento com "grupos rurais, ambientalistas e agrários. Nossa hipótese preliminar é que a morte possa estar relacionada a interesses econômicos e a disputa de grupos de madeireiros”, afirmou o delegado.

Grilagem de terra
A Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Santarém (PA), informou que João da Gaita denunciava a grilagem de terras e extração ilegal de madeira, feitas por um consórcio criminoso. "Ele coordenava a comunidade católica de Miritituba, em Itaituba. Ele registrou vários boletins de ocorrência, sobre as ameaças que vinha sofrendo, tanto para a Polícia Civil como para a Polícia Federal", disse Gilson Rêgo, coordenador da CPT santarena.

Antes de sua morte, João da Gaita assinou um documento com uma série de denúncias sobre a grilagem de terras na região. Outro presidente de uma associação do assentamento local, que também denunciou a grilagem de terra e a extração ilegal de madeira, também está ameaçado de morte, e já foi retirado da região pela Polícia Rodoviária Federal.

Rêgo explicou ainda que Primo denunciou várias vezes que a região invadida por madeireiros ilegais fica perto das BRs 163 e 230 (Transamazônica) e Vicinal do Brabo. "O nstituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade [ICMBio] fez uma operação com apoio da PF e do Exército na região, mas deixaram a ação de lado depois de um dos integrantes da mobilização trocou tiros com um integrante da segurança dos madeireiros e depois ficou cinco dias perdido na mata. Nos abandonaram depois disso", afirmou Rêgo.

Segundo documentos do MPF, João da Gaita relatou que madeireiros vinham usando o assentamento como porta de entrada para as matas ainda relativamente preservadas e que fazem parte do Mosaico de Conservação da Terra do Meio.

Justiça rápida
Primo chegou a denunciar a retirada de 15 a 20 caminhões de madeira por dia daquela área. O bispo de Itaituba, dom Frei Wilmar Santin, disse ao G1 que espera que seja feita Justiça no caso da morte do ambientalista. "A polícia agiu no caso da irmã Dorothy Stang e esperamos que a investigação também consiga punir os culpados por essa morte. Quantas vidas mais vamos perder por conta de questões da terra?", disse o religioso.

Segundo o ICMBio, no período de 9 de setembro a 16 de outubro deste ano, Raimundo Belmiro chegou a receber a proteção de dois policiais, um civil e outro militar.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

LEIA O "THE OCCUPIED WALL STREET JOURNAL"



Siga o link e veja o que está acontecendo nos protestos em curso nos EUA.

POLÍCIA DE OAKLAND (CALIFÓRNIA) REPRIME COM VIOLÊNCIA MANIFESTAÇÕES DO MOVIMENTO "OCCUPY". É ESSA A TÃO DECANTADA DEMOCRACIA AMERICANA EM AÇÃO?



No dia de ontem a Polícia da cidade de Oakland na Califórnia reprimiu com violência uma manifestação pacífica de apoiadores do movimento "Occupy Wall Street", usando spray de pimenta, balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio. O total de presos chegou a 85, e o sítio do Movimento Occupy Wall Street informa que os policiais também agrediram com violência outros participantes da ocupação pacífica que ocorria num local público da cidade californiana.

Além de demonstrar um nervosismo evidente em relação à difusão das manifestações iniciadas em Nova York, os governantes norte-americanos acabam sentindo um pouco dos ares de primavera que diz tanto apoiar no mundo árabe.  O interessante é que no melhor estilo dos governantes e ditadores árabes, a resposta que está sendo oferecida a manifestantes pacíficos é o abuso da violência policial.

Um caso clássico de pimenta nos olhos dos outros é refresco.

QUANDO O BONÉ NÃO É MERO DETALHE



Na imagem acima os dois militares que trafegam armados no veículo que efetivamente lança o toque de recolher nas comunidades do Complexo do Alemão estão de boné azul. Isto seria apenas um detalhe a mais se estas não fossem que estão sendo treinadas nas favelas de Porto Príncipe, capital do Haiti, para fazer a repressão urbana nas favelas brasileiras, e que por lá se escudam nos bonés azuis da Organização das Nações Unidas.

Neste caso, o boné não é o detalhe, mas sim a explicação final das violações constitucionais que estão ocorrendo no Complexo do Alemão pelas mãos das forças de "pacificação" do Exército Brasileiro. Enquanto isto, os traficantes voltaram a vender drogas e estão assassinando moradores que acreditam tenham colaborado com a Polícia. 

Nota pública sobre operação do BOPE na Maré


Há 12 dias, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro (BOPE) realiza operações sistemáticas em várias das 16 favelas da Maré – território carioca com população estimada em 140 mil pessoas.

A ação policial, chamada pelas autoridades militares de “operação continuada”, tem sido marcada pela falta de informações e desencontro de pareceres das autoridades de segurança pública. Exemplo maior desta situação foi a distribuição aleatória de panfletos com a inscrição “Sua comunidade está sendo pacificada”. Apesar da difusão da informação, posteriormente a polícia militar afirmou, através de nota, que a ação não tinha como objetivo a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e que o material impresso arremessado do helicóptero era, na verdade, sobra de outra ação, ocorrida no Morro da Mangueira, Zona Norte. A assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Rio informou, por sua vez, que os folhetos despejados sobre as favelas da Maré foram, na verdade, parte de “uma tentativa de confortar a população local, aproximando-a da força policial”.

Para além da evidente descoordenação política e técnica da ação, moradores das favelas em que a ‘operação continuada’ tem se concentrado até agora, tem relatado constantes violações de direitos humanos.

Diante disso, as organizações abaixo assinadas, de dentro e de fora da Maré, que atuam no campo da defesa e promoção de direitos, em reunião realizada no dia 24 de outubro, propõem os encaminhamentos abaixo relacionados, visando garantir a materialização de uma política de segurança pública que, de fato, assegure os direitos fundamentais dos moradores locais:


1. Uma reunião imediata de representantes das organizações assinaladas com a direção da Secretaria de Segurança Pública, Comando do BOPE e Comando do 22° Batalhão;

2. A produção, pelo BOPE, de uma nota dirigida aos moradores da Maré esclarecendo os objetivos da Operação em curso, assim como a difusão nesse folheto das formas legais de ação por parte dos policiais, em especial as abordagens e eventuais entrada em domicílios;

3. Investigação e apuração de todos os casos de violações de direitos cometidas pelo BOPE

4. Suspensão imediata das operações até que as solicitações acima sejam devidamente atendidas.



Assinam essa nota:

Observatório de Favelas
Redes de Desenvolvimento da Maré
Comissão de Direitos Humanos da Alerj
Rede de Comunidades e Movimentos contra a violência
Justiça Global
Luta Pela Paz
Humanitas e Cidadania
Lona Cultural da Maré
Imagens do Povo
Iser
Associação de Moradores do Morro do Timbau
Associação de Moradores do Parque União
Associação de Moradores da Nova Holanda
Associação de Moradores do Parque Rubem Vaz
Centro Municipal de Saúde Samora Machel
Centro Municipal de Saúde Nova Holanda
Centro Municipal de Saúde Hélio Smith
Centro Municipal de Saúde Gestão Capanema
Centro Municipal de Saúde Vila do João
Centro de Promoção da Saúde – Cedaps
Escola Municipal Teotônio Vilela
Associação dos Docentes da UFF
Projeto Uerê
Instituto Vida Real
Instituto Raízes em Movimento
Viva Comunidade
Viva Rio