sábado, 31 de março de 2012

VIDA DE MÚSICO PODE SER DIFÍCIL ATÉ EM LONDRES, MAS TAMBÉM PODE SER DIVERTIDO

Uma das coisas sobre cidades cosmopolitas é que as coisas acontecem de forma sempre inesperada. Londres é um lugar cheio de coisas peculiares.  Mas uma coisa é certa: há música de qualidade por toda parte. Prova disto é o vídeo abaixo.

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sexta-feira, 30 de março de 2012

APICULTORES POLONESES PROTESTAM CONTRA CULTURAS GENETICAMENTE MODIFICADAS DA MONSANTO

  Apicultores poloneses saíram  às ruas de Varsóvia no dia 15 de Março para protestar contra o uso de agrotóxicos e sementes geneticamente modificadas que eles consideram serem responsáveis por uma alta taxa de mortalidade de abelhas em todo o território polonês Aqui .  

O principal alvo do protesto foi a multinacional norte-americana MONSANTO, que eles consideram ser uma das principais responsáveis pela situação. Veja o vídeo abaixo!

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PREOCUPAÇÃO COM O ESFRIAMENTO DA ECONOMIA CHINESA E SEUS SIGNIFICADOS PARA O BRASIL E EIKE BATISTA

A Rede norte-americana CNN acaba de publicar uma matéria sobre o temor que está se espalhando de que a economia chinesa entre num período de desaquecimento (Aqui).  Pelo que tudo indica a economia chinesa, apesar de continuar crescendo, deverá entrar num período de grave esfriamento. 

O melhor indicador do que está por vir é mostrado no gráfico abaixo. Afinal o mercado de ações é sempre o primeiro medidor que os analistas econômicas utilizam para inferir o que poderá vir pela frente, o que se reflete diretamente nas transações de compra e venda.


Alguém pode perguntar de forma até ingenua: o que nós temos a ver com a desaceleração da economia chinesa? Em uma rápida resposta, eu diria que TUDO! Afinal, a China é hoje o principal destino das commodities agrícolas e minérios do Brasil. 

E para Eike Batista e seus negócios, como o do Complexo do Açu? Bom, pode significar simplesmente que vai precisar de mais dinheiro árabe para não ver sua holding dos sonhos para Eike, e de pesadelos para os agricultores do Açu, vir ao chão como um castelo de areia construído na Praia de Grussaí. Simples assim.

quinta-feira, 29 de março de 2012

NOME DE ARQUIVO DIZ TUDO SOBRE A IMAGEM SENDO MOSTRADA

No dia de hoje houve uma celebração do golpe militar de 1964 no Clube Militar no centro da cidade do Rio de Janeiro. O que os golpistas, agora de pijama, não contavam, era de que haveria a presença de centenas de manifestantes que foram ali demonstrar a sua insatisfação com o golpe que os militares agora de pijama estavam indo celebrar sobre o título falacioso de "revolução".

O governo do Rio de Janeiro, por sua vez, em vez de garantir o direito de livre expressão sacramentado pela Constituição Federal de 1988, a qual teve o papel de limpar o entulho autoritário deixado pelos golpistas, preferiu enviar para a porta do Clube Militar um ostensivo policiamento munido de bombas, pistolas elétricas e casseteres.  A cobertura deste evento dada pelo Jornal O GLOBO pode ser lida Aqui

Mas melhor do que a matéria foi o nome dado por funcionário anônimo da redação online do Jornal O GLOBO para a imagem mostrada abaixo, qual seja, "milicos". Muito bem, não haveria melhor nome para expressar essa volúpia com que o governo Cabral reprime manifestações garantidas pela mesma Constituição que ele jurou defender ao tomar posse. Coisa, como diria o funcionário anônimo do O GLOBO, de milico!


Três trabalhadores rurais do Movimento de Libetação dos Sem Terra são mortos no Triângulo Mineiro

Valdir Dias Ferreira, de 39 anos, Milton Santos Nunes da Silva, de 52, e Clestina Leonor Sales Nunes, de 48, foram executados com tiros na cabeça. Os três faziam parte da coordenação estadual do MLST. Eles haviam saído de carro de Prata, onde o movimento mantém acampamento na fazenda São José dos Cravos, quando foram fechados por um veículo cinza. Ferreira e Silva foram atingidos ao descerem do carro para verificar o que ocorria. Clestina nem teve tempo de sair do veículo. A única sobrevivente do crime foi uma criança de 5 anos, neta de Milton e Clestina, que a polícia ainda não sabe se foi poupada ou se não foi vista pelos criminosos. 

Testemunhas informaram aos policiais que dois homens chegaram em um carro prata e pararam o veículo deles. A polícia descarta a hipótese de latrocinio (roubo seguido de morte), porque no colo de Clestina Nunes estava uma bolsa com R$ 1.600 em dinheiro. Toda a documentação das três vítimas estava espalhada pelo chão. 

O secretário de Estado de Defesa Social (Seds) de Minas, o procurador de Justiça Rômulo Ferraz, determinou "prioridade absoluta" para a apuração do caso, que está a cargo da Delegacia de Homicídios de Uberlândia, mas cuja investigação também terá a participação de integrantes do Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Belo Horizonte. Até o fim da tarde deste domingo, 25, porém, ninguém havia sido preso. 

O caso

Segundo informações do MLST de Minas Gerais, A Usina Vale do Tijuco (com sede na cidade de Ribeirão Preto/SP) havia entrado com pedido de reintegração de posse da fazenda São José dos Cravos, apenas com um contrato de arrendamento. Essa área foi objeto de audiência no último dia 8 de março, não havendo acordo entre as partes. Dezesseis dias depois da Audiência as três lideranças que tinham uma expressiva atuação na luta pela terra na região e eram coordenadoras do acampamento foram assassinadas.

Ainda segundo o Movimento, um dia antes do assassinato, no dia 23, um dos assassinos havia ido ao acampamento acompanhado de outro rapaz, dizendo querer se juntar ao grupo. Clestina recebeu os dois em sua barraca, serviu-lhes almoço e explicou o que seria necessário para se cadastrar no acampamento. Eles disseram que voltariam depois com os documentos. No mesmo dia, já à noite, voltaram em um carro dizendo que haviam sofrido um acidente de moto e que o pai de um deles havia emprestado o carro. Perguntaram a Clestina quando ela iria à cidade, e ela informou que iria no dia seguinte e falou o horário aproximado. Eles, então, entregaram a ela um endereço onde ela poderia buscar os documentos deles. Apesar de ainda estar em estado de choque, a criança, sobrevivente da emboscada, disse que reconheceu um dos assassinos como sendo um dos rapazes que havia estado no acampamento no dia interior. Segundo ela, ele é branco e tem o cabelo cortado em estilo moicano.


PONTOS DE ÔNIBUS EM CAMPOS E LONDRES: HAJA DIFERENÇA!

Há alguns meses atrás postei a foto abaixo de um ponto de ônibus que fica quase na esquina entre as avenidas Felipe Uébe e Alberto Lamego.  Apesar desta postagem, o ponto não foi melhorado até a última vez que eu passei em frente dele.


Hoje caminhando pelas ruas de Londres pude verificar que aqui existem milhares de pontos de ônibus, dado que os habitantes desta metrópole podem circular nela via um sistema público de transportes que inclui metrô, trem, barcas, ônibus, carros e bicicletas. Agora, vejam um destes milhares pontos de ônibus dos quais os londrinos podem se servir ao optar pelos ônibus


Agora convenhamos, é ou não é um escárnio os habitantes serem tão mal servidos tanto na qualidade de veículos como nos abrigos que são fornecidos para os dias de chuva ou insolação excessiva? Se não vivessemos numa cidade que possui um dos maiores orçamentos da América Latina eu até entenderia. Mas como vivemos, o que parece faltar mesmo é um mínimo de respeito com os cidadãos que são deixados ao Deus dará.
CHEVRON VEM A PÚBLICO SE DEFENDER DAS ACUSAÇÕES CRIMINAIS SOBRE OS VAZAMENTOS NO CAMPO DE FRADE. TRANSPARÊNCIA TARDIA NEM SEMPRE É SINAL DE ARREPENDIMENTO

Um anúncio de página intreira, mostrado abaixo, circula hoje no jornal Folha da Manhã sob os auspícios da multinacional norte-americana CHEVRON.  Neste anúncio a CHEVRON vem de forma, tardia e parcial, prestar seus esclarecimentos sobre os repetidos vazamentos que estão ocorrendo em suas perfurações no campo de petrolífero de Frade na Bacia de Campos.

Essa vinda a público é tardia porque já deveria ter ocorrido quando a primeira gota de petróleo aflourou no campo de Frade. É parcial porque não explica de maneira transparente como pouco após o prmeiro incidente, novos vazamentos foram detectados. sem que houvese nenhuma demonstração de que a CHEVRON teria adotado os protoclos necessários para impedir a repetição deste tipo de incidente que causa sérios danos ambientais e sociais.

Mas a explicação pode estar no próprio anúncio, onde está dito que a CHEVRON refuta as acusações criminais e que provará a sua "inocência". Pois bem, isto só está ocorrendo porque o Ministério Público Federal, através do procurador Eduardo Santos, tomou ma posição de defesa dos interesses brasileiros e instaurou os devidos procedimentos para apurar os fatos e punir legalmente os eventuais responsáveis pelas violações das leis brasileiras.

Agora, esta transparência repeitna terá uma chance de se aprofundar com a CHEVRON entregando voluntariamente toda a documentação solicitada pelo MPF. Do contrário, vai ser obrigada a entregar de qualquer jeito. Simples assim,

Veja a nota da CHEVRON e tire suas próprias conclusões.

 
MENTORES DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL FAST FOOD TENTA CALAR OS QUE DENUNCIAM SEUS RESULTADOS

Abaixo segue denúncia da bióloga Mônica Cristina Brandão dos Santos Lima da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj, que estava sendo processada pela ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) por suas pesquisas em torno dos efeitos ambientais e à saúde humana que a poluição emitida por aquela indústria está causando na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, mais especialmente em Santa Cruz.

A bióloga agora denuncia a sua expulsão de uma reunião de um Grupo de Trabalho criado pela Secretaria Estadual de Ambiente (SEA) que está preparando um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que está sendo preparado para viabilizar a emissão da Licença definitiva para uma das plantas industriais mais poluidoras em funcionamento em todo o território brasileiro.

Uma coisa é certa, e como bem alerta a bióloga Mônica Lima, esta truculência tem como objetivo intimidar as vozes que tentam denunciar o caos ambiental em que o Rio de Janeiro foi colocado pelo governo Cabral. Já Carlos Minc, pai do licenciamento ambiental, quem diria, acabou em Santa Cruz e no colo da TKCSA.



CARTA DENÚNCIA

Caros(as)  amigos(as) e companheiros(as) de luta,

Acabei de ser muito constrangida e expulsa da reunião na SEA que tratará do relatório dos impactos na saúde, e que servirá ao TAC criado pelo Minc para com celeridade liberar a licença definitiva para a TKCSA, com a ameaça de chamarem a segurança e a polícia caso eu não me retirasse. Segundo Tenório (coordenador do GT), seria uma ordem do Secretário Minc. Não poderiam permitir que eu participasse da reunião, por não fazer parte oficialmente do GT Saúde instituído pela SEA. Aproveito para questionar a reitoria da UERJ por jamais ter se posicionado em relação ao meu trabalho e criar este mal-estar, nem mesmo quando processada pela TKCSA houve um pronunciamento. O que configura essa atitude da UERJ?

Assim age o governo representado por Carlos Minc: na defesa das grandes corporações. Será que represento um perigo tão grande assim para o monstro TKCSA e seus aliados? Se realmente pretendem tratar  dos danos à saúde da população, por que eu não poderia estar presente? A meu ver a expulsão foi uma atitude desproporcional e só intensifica a fragilidade deste GT. No entanto,  se fosse uma representação da TKCSA teria garantida a sua participação na reunião. Para ilustrar encontrei o senhor Luís Cláudio (da TKCSA) ao sair. Sabemos porque não me querem lá, por defender o direito dos atingidos  e eles do da TKCSA. Querem um relatório de “cartas marcadas” pouco discutido para formalizarem o TAC e a licença definitiva.

Como imaginava, eles cometeram um engano ao me enviarem o relatório e ao me convocarem para a reunião. Mesmo argumentando que tinha muitas contribuições e intervenções a fazer, insistiram na minha retirada. Argumentei que meu papel seria sempre o de tencionar este GT, até porque a TKCSA não cumpriu nada do que deveria, mas continua funcionando. O relatório tem várias fragilidades em método e mérito, não considera o estudo da FIOCRUZ, menciona a participação e atividades organizadas pelo movimento organizado em vários momentos, porém dando o sentido que bem entendem, e não o verdadeiro enfoque dos atingidos, e priorizam alguns movimentos em detrimento de outros. Mencionam superficialmente os pescadores e não mencionam os agricultores e outras comunidades impactadas. Também não tratam dos acidentes de trabalho já ocorridos e amplamente denunciados. Acidentes estes gerados pelas más condições de trabalho, pela grande rotatividade dos profissionais e a alta jornada de trabalho chegando certas vezes a 12 horas.

O escopo da poluição atmosférica, tratado no relatório, não abrange o sentido amplo de saúde e não é suficiente, essa discussão perpassa em muito, vai além da poluição atmosférica. Não se aborda a Saúde Ambiental em sua amplitude, por exemplo, nem se falou da poluição hídrica. Falei aos presentes, principalmente aos colegas da UERJ, para ouvirem e analisarem o outro lado da questão, e se interarem do processo com quem faz parte dele e principalmente aqueles que fazem parte do território em questão. Falei aos representantes da UERJ da importância de sentarmos e conversarmos fora da SEA. Questionei quem teria mais legitimidade de compor este GT do que os que já vinham trabalhando nesta questão desde o início? Argumentei que este relatório não pode sair sem a visão de quem realmente esta trabalhando no assunto e dos movimentos organizados legítimos. A SEA e um único conselheiro do conselho distrital de saúde não podem decidir qual movimento ou representatividade são legítimos, como vem ocorrendo, pois isso configuraria uma série de conflitos de interesse e falsas tendências.

Reivindiquei uma conversa do GT em outra ocasião com a presença da Fiocruz e da UERJ para colocar nossas intervenções, no qual Tenório acatou, mas não tenho ilusões quanto a isso caso não haja pressão externa dos movimentos e frentes que nos apoiam. É super importante nos concentrarmos em desconstruir esse TAC agora, e fazer valer o nosso ponto de vista e todas as contradições e vulnerabilidades, pois se não este sairá e a licença será dada. O monstro TKCSA continua lá imponente, enquanto, nós, seres humanos, entramos em extinção junto com a vida local. Precisamos abrir a boca, denunciar em que termos e atitudes o relatório da saúde proveniente do GT do Minc e o TAC caminham. Vamos exigir nossa participação e acabar com o TAC. O movimento organizado, e nós acadêmicos, temos que dar uma resposta enérgica já para impedir o TAC. Eles estão agindo na calada feito um trator. As instituições eticamente não deveriam assessorar a SEA e legitimar o TAC do governo, pois nossa missão e função técnico-científica enquanto instituições acadêmicas são para atender  as demandas sociais e não governamentais.

Não espero que Tenório e Minc me ouçam, mais preciso da força e disposição dos movimentos organizados (pescadores, moradores, agricultores, fóruns de Saúde e Educação e as entidades que os representam juntamente com suas bases, etc) e todas as frentes que tem trabalhado no assunto (MP, Defensoria, ALERJ, PACS, OAB, FIOCRUZ, UFRJ, UFF, UFRRJ, centrais sindicais, etc...) para potencializar esta onda de enfrentamento. Precisamos interagir já e fortalecer nossa estratégia. Vamos fazê-los cumprir o que é no mínimo obrigação ética e moral para com aqueles que sofrem com este empreendimento monstro e símbolo do imperialismo e da impunidade: a TKCSA.

SOMOS TODOS SANTA CRUZ!
GLOBALIZEMOS A LUTA, GLOBALIZEMOS A ESPERANÇA!

Saudações de luta,
Mônica

quarta-feira, 28 de março de 2012

CONHECENDO O METRÔ DE LONDRES E TENDO VERGONHA DO SISTEMA DE TRANSPORTES NO BRASIL

Existem muitos indicadores de que uma determinada Nação chegou a graus mais elevados de desenvolvimento econômico e social. O sistema público de transportes é um deles, pois quando uma população pode ir e vir em condições de dignidade é sinal de que vários outros problemas também foram resolvidos.

Se tomarmos a questão da integração dos serviços públicos de transporte como exemplo fica fácil ver que a Inglaterra é mesmo um país desenvolvimento econômica e socialmente, e o Brasil pode até estar melhorando no plano econômico, mas socialmente continua um fracasso tão retumbante quanto o grito que o imperador Pedro I teria supostamente dados às margens do Riacho Ipiranga.

Após uns poucos dias e já tendo entendido como funciona a articulação entre serviços de trens, metrô e ônibus, e usado duas linhas do metrô londrino, não há como ficar como muita inveja dos ingleses. O metrô aqui é limpo, seus trens chegam no minuto exato em que estão programados para chegar, e mesmo na hora mais intensa de uso, as pessoas se acomodam de forma ordeira e rápida em trens extremamente limpos. Usando uma estação que tem pelo menos 100 anos de existência chega a ser impressionante notar que as fundações centenárias continuam lá firmes e fortes. Que obra como esta aguentaria tão bem a passagem do tempo no Brasil? 

Aos governantes de todos os níveis  (presidente, governadores e prefeitos) nos caberia pedir que tivessem um minimo de respeito com a parte da população brasileira que diariamente é tratada pior do que gado quando tenta chegar ou retornar do seu local de trabalho.

Definitivamente o povo brasileiro não merece a maioria dos governantes que possui. O povo do Rio de Janeiro então não há o que comentar!

Confira as imagens abaixo.





TJMG vai analisar projeto da Anglo American em Conceição do Mato Dentro e libera apenas as atividades já iniciadas

A decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que determinou a volta parcial das atividades nas obras do projeto Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro, na Região Central do estado, da mineradora Anglo American, será novamente avaliada pelo relator do processo, desembargador Barros Levelhagen, e pela 5ª Câmara Cível do tribunal, composta por três desembargadores. No sábado, a empresa entrou com um agravo de instrumento contra liminar concedida pela juíza Maria Jacira Ramos e Silva, em resposta à ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPE), que pedia a paralisação das obras do empreendimento por não cumprir condicionantes do licenciamento ambiental e avançar na obra sem autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Minas Gerais (Iphan), causando danos irreversíveis ao potencial arqueológico da região.

O relator que julgou a liminar no sábado, Edgar Penna Amorim, estava de plantão e redistribuiu os autos. Amorim decidiu que as obras já iniciadas pela mineradora - estação de bombas 1, unidade de captação de água nova e dique da barragem de rejeitos - fossem retomadas. As demais obras continuam suspensas. Para o coordenador Promotoria de Justiça de Defesa da Bacia dos Rios da Velha e Paraopeba, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, do Ministério Público Estadual (MPE), o TJMG manteve a decisão de suspender as obras não iniciadas e acatou a liminar "somente em alguns pontos".

Segundo o promotor de Justiça da comarca de Conceição do Mato Dentro, Almir Geraldo Guimarães, a Anglo American recorreu da decisão de primeira instância, que mandava paralisar as obras, e o tribunal respondeu com um efeito suspensivo, porém parcial. "A decisão dada pela juíza daqui (Conceição do Mato Dentro) continua valendo, com exceção de algumas partes", explica. Ainda de acordo com ele, isso vale até o julgamento do recurso pela 5ª Câmara Cível do TJMG. "Depois, a liminar concedida pode ser mantida integralmente ou não. Julgamento, só no final do processo", completa o promotor.

No pedido de liminar, o MPE solicitava suspensão de toda e qualquer atividade de intervenção no solo para a implantação do empreendimento, principalmente aqueles que envolvem supressão de vegetação, terraplanagem e retirada ou revolvimento do solo até o fim das prospecções arqueológicas integrais e aprovação do Iphan. Em caso de descumprimento da decisão, a empresa iria arcar com multa diária de R$ 300 mil, podendo chegar a R$ 1 milhão.

O Ministério Público ainda pediu indenização relativa aos danos materiais irreparáveis e morais coletivos em decorrência do empreendimento em montante não inferior a R$ 5 milhões, além de a empresa seja condenada a implantar, na sede do município, unidade museológica para abrigar os vestígios arqueológicos resgatados em razão das atividades no local.

A Anglo American, por meio de nota, afirma que em 24 de março o Tribunal de Justiça suspendeu a liminar relativa à interrupção das obras na estação de bombas 1 e no dique da barragem de rejeitos do projeto Minas-Rio, no município mineiro de Conceição do Mato Dentro. As obras foram retomadas no mesmo dia. A empresa acredita que o Projeto Minas-Rio não coloca em risco o patrimônio artístico e cultural de Conceição do Mato Dentro.

terça-feira, 27 de março de 2012

O GLOBO entrega Prêmio Faz Diferença a brasileiros que marcaram 2011
As organizações GLOBO divulgaram no dia de hoje   (Ver Aqui) os vencedores do seu prêmo "Prêmio Faz Diferença, cuha a cerimônia acontecerá no dia 03 de Abril no Copacabana Palace, a partir das 20h. A "insuspeita" dupla de colunistas Ancelmo Gois e Miriam Leitão fará a apresentação da premiação, que tem o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). E adivinha quem é o vencedor da categoria "Economia"!? Quem pensou no novo melhor amigo dos emires de Abu Dabhi, Eike Batista, acertou!

Pela imagem abaixo que mostra a propriedade de um pequeno produtor do V Distrito de São João da Barra que foi expulso sem nenhum tipo de ressarcimento, e ainda teve tudo o que construiu na vida destruído para ser entregue ao Grupo EBX, dá para notar que Eike Batista faz mesmo toda a diferença. Mas um tipo de diferença que só as Organizações GLOBO acham que merece troféu.



CPT DENUNCIA ANGLO AMERICAN PELO USO INDEVIDO DE SEU NOME E POR VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS EM CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO

A Comissão Pastoral de Minas Gerais acaba de vir a pública denunciar a multinacional Anglo American pelo uso de indevido de seu nome em matérias jornalísticas voltadas para limpar a barra da empresa após a suspensão das obras do mineroduto em Conceição do Mato Dentro.

Mas, aparentemente, esse tiro saiu completamente pela culatra. Leia a carta abaixo.

Eike Batista acumula bilhões sem gerar caixa real nem empregos


Heberth Xavier - Estado de MinasZulmira Furbino - Estado de Minas

Publicação: 21/03/2010 07:45 Atualização: 21/03/2010 11:08



Especialidade do dono da holding EBX é vender projetos não construídos

Eike Batista está na moda. Folgadamente, é o brasileiro mais rico e um dos 10 mais endinheirados do planeta. Mas, aos poucos, o próprio mercado financeiro começa a agir com ceticismo diante de um jeito de amealhar fortuna com negócios e projetos não construídos, sem geração de caixa real nem tantos empregos, muito menos com divisas para a nação na proporção de outros magnatas.

Como definir Eike? Empresário? Investidor? Especulador? Financista? Empreendedor? “Empresário, no sentido tradicional que conhecemos, não é”, diz um analista do setor de mineração que trabalha numa empresa de consultoria paulista. Basta comparar as atividades de suas empresas com as outras corporações estrangeiras e brasileiras cujos comandantes também aparecem no ranking.

Sua holding, a EBX, congrega a MMX (de mineração), a LLX (logística), MPX (energia) e OGX (petróleo), entre outras, acumulando patrimônio estimado em US$ 27 bilhões, segundo o último levantamento da revista americana Forbes. Já vendeu seguros na Alemanha, explorou petróleo na Amazônia, produziu cosméticos, construiu termelétricas, envolveu-se com mineração, tendo sido até expulso da Bolívia. Mas seu forte mesmo é mexer com coisas que não são palpáveis. “O Eike está fazendo fortuna com projetos não construídos, sem geração de caixa real. Está vendendo sonhos, projetos e papéis”, diz um empresário do segmento da mineração que pediu para não ser identificado.

Bill Gates, por exemplo, o segundo do ranking dos bilionários, criou a Microsoft, marca forte que emprega quase 90 mil pessoas em todo o mundo, está presente em 105 países e catapulta receitas acima de US$ 50 bilhões todo ano. Carlos Slim, o bilionário da América Móvil, que tem 125 milhões de clientes, forra um caixa superior a US$ 20 bilhões anualmente. Entre os brasileiros, também há diferença de constituir renda e riqueza. Antônio Ermírio de Moraes (do conglomerado Votorantim), Abílio Diniz (rede Pão de Açúcar) e grupos como Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Vale comprovam algumas dessas diferenças.

De bom gosto com mulheres (foi marido da modelo e atriz Luma de Oliveira) e esportista (é campeão mundial de off-shore, uma corrida em lanchas de alta velocidade), a visão edulcorada de um homem venturoso que carrega saiu arranhada ao longo da semana passada, numa operação não bem sucedida de oferta inicial de ações (IPO) na Bovespa. Ele levantou ‘tão somente’ 30% dos quase R$ 10 bi que esperava captar com a estreia da OSX, empresa do ramo de construção naval. “O problema é que a OSX é um projeto, mas queriam vendê-la a preço de concorrentes estrangeiras já estabelecidas”, resume um gestor de ações. A empresa tem, até agora, apenas um navio e uma dívida de R$ 750 milhões. “Fica até difícil falar do preço das ações, porque a OSX ainda não produz nada”, continua o gestor.

A frieza atual no mercado contrasta com a euforia inicial de até há não mais que um mês, depois que a Forbes divulgou sua tradicional lista dos mais ricos do mundo (e, pela primeira vez, pôs um brasileiro no top ten). Muda o olhar sobre esse mineiro de Governador Valadares, nascido há 53 anos. Ele é inteligente? Não há porque duvidar. Brilhante? Para ganhar dinheiro, sem dúvida. É ousado? Sim, ao menos no mundo das finanças. E é bom que Eike esteja no topo? Bem, aí a resposta imediata nunca será a melhor. O homem que multiplicou sua fortuna por quatro em dois anos (de US$ 6,6 bilhões, em 2008, para os atuais US$ 27 bilhões) diz mais sobre nossa economia do que muito tratado acadêmico. “Sua fortuna se constrói não com base na receita de suas empresas, mas principalmente na compra e venda de papéis”, garante o gestor.

O geólogo e investidor em mineração João Carlos Cavalcanti é ex-sócio de Eike. Diz não ter se surpreendido com o resultado ruim do IPO da OSX. “Me associei a ele num projeto no Norte da Bahia”, afirma. “Depois de três anos, percebi que o projeto não andava. Acabei perdendo a área, mas o Eike Batista ainda me deve R$ 8 milhões.”

O Estado de Minas tentou conversar com Eike quinta-feira e sexta-feira, dia da estreia de sua empresa na Bovespa. A assessoria do investidor alegou que a agenda de Eike estava tomada, mas sublinhou o investimento “superior a US$ 1 bilhão” feito pela MMX, empresa de mineração do grupo no estado. Destacou também as minas na região de Serra Azul, com capacidade anual de produção de 8,7 milhões de toneladas de minério de ferro.

Em Conceição do Mato Dentro, cidade da Região Central de Minas, é difícil falar em Eike Batista e não receber de volta impropérios. A população se queixa da devastação ecológica feita no local, famoso pelas cachoeiras. A vereadora Flávia Magalhães reclama da operação realizada entre Eike e a Anglo American. No começo de 2008, a multinacional de capital britânico comprou 49% do Sistema Minas-Rio, controlado na época pela MMX. Em agosto daquele ano, tornou-se proprietária de 100% do projeto. Pagou, no total, US$ 5,5 bilhões – US$ 3 bilhões teriam ido diretamente para o bolso de Eike. Não há, pelas informações conhecidas, ilegalidade na operação de compra e venda. O problema é outro. “Vendeu um projeto para a Anglo e deixou uma confusão enorme para trás”, lamenta Magalhães. 
 
A LOGOMARCA QUE EIKE VAI TER QUE COLOCAR EM BAIXO DA SIGLA EBX

Esse mundo é mesmo uma pequena esfera. Participando da Conferência "Planet under Presssure", a qual está snedo realizada no Excel Center ainda não havia notado que este imenso centro de convenções é de propriedade dos árabes de Abu Dabhi.  Como nada nesse mundo se perde, aproveitei para tirar uma foto para postar aqui na esperança de que sirva ao pessoal do Grupo EBX para que comecem a redesenhar o logo da empresa. É só seguir o modelito que está na fotografia.

 E não precisa nem me agradecer! É só fazer o download de uma das imagens que seguem abaixo!


VENDA DE PARTE DO GRUPO EBX EXPLICA MAIS AINDA A RAIVA DE EIKE BATISTA CONTRA A ÉPOCA NEGÓCIOS


Há poucas semanas Eike Batista ficou extremamente irado contra uma matéria publicada pela Revista Época Negócios que formulou uma pergunta incômoda sobre sua habilidade de transformar em concreto, os sonhos especulativos a partir do qual ele recolhe pesadas somas financeiras dos cofres da viúva (mais propriamente dito dos cofres do BNDES).

Agora o mercado anuncia que Eike Batista acaba de vender cerca de 6% das ações do Grupo EBX aos árabes, numa operação que parece mais resgate do que algo calculado (Ver http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2012/03/26/internas_economia,285460/fundo-de-abu-dhabi-compra-parte-de-grupo-de-eike-por-us-2-bilhoes.shtml).  Em função disto, a aparente capacidade de Eike Batista de só fazer coisas certas no campo financeiro caem por terra, ainda que aparentemente ele esteja saindo por cima.  A questão é que os novos controladores de parte do Grupo EBX não são conhecidos por gostar de firulas e aparições públicas como as que Eike Batista tem se notabilizado, ao lado de outras figuras como Sérgio Cabral e Eduardo Paes.

Pena que esse desvelamento da verdadeira face de Eike Batista não sirva de consolo para centenas de famílias de agricultores e pescadores do V Distrito de São João da Barra que são os verdadeiros perdedores desta situção toda.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Anthony Giddens critica a posição dos EUA na preparação da Rio +20 e diz que a resolução dos problemas causados pelo aquecimento do planeta serão resolvidos na escala local


Hoje como parte da minha participação na Conferência "Planet Under Pressure" (http://www.planetunderpressure2012.net/) que está ocorrendo na cidade de Londres, tive a oportunidade de ouvir o sociólogo britânico Anthony Giddens. Para quem não sabe, Giddens é  renomado por sua Teoria da Estruturação,  e é considerado por muitos como o mais importante filósofo social inglês contemporâneo, figura de proa do novo trabalhismo britânico e teórico pioneiro da Terceira Via. As idéias de Giddens tiveram uma enorme influência quer na teoria quer no ensino da sociologia e da teoria social em todo o mundo, já que sua obra abarca diversas temáticas, entre as quais a história do pensamento social, a estrutura de classes, elites e poder, nações e nacionalismos, identidade pessoal e social, a família, relações e sexualidade.  Além disso, Giddens foi um dos primeiros autores a trabalhar o conceito de Globalização.

Pois bem, Giddens em seu pronunciamento criticou duramente a situação de preparação da Conferência Rio +20 que ele julga estar sendo empurada com a barriga. Giddens lamentou ainda a posição dos EUA, pois para ele os partidos políticos norte-americanos permitiram que houvesse uma polarização política sobre um tema que deveria estar sendo tratado dentro do grave contexto que se abre em função do aquecimento global da Terra.

Um detalhe muito interessante na fala de Giddens foi a sua posição de que os problemas que ocorrerão nos próximos anos por causa da elevação das temperaturas da Terra serão melhor resolvidos por governos operando na escala local, como é o caso dos munícípios brasileiros, visto que os governos nacionais têm se mostrado incapazes de atacar as questões de forma coerente.

Essa posição de Giddens é uma completa guinada em relação à sua defesa do conceito de Globalização, visto que coloca a solução na escala mais local, deixando a global num surpreendente segundo plano. Mas, convenhamos, se será na escala dos governos locais que a coisa terá chance de se resolver, o que podemos esperar em cidades como Campos dos Goytacazes e São João da Barra? Pelo jeito, estaremos mesmo num mato sem cachorro.
Uma fábrica de contaminação e mortes em Paulínia
 
Após 59 casos fatais, Procuradoria amplia lista de quem terá tratamento pago


Lino Rodrigues, enviado especial

Contratados pela Shell, trabalhadores atuam em área isolada devido à contaminação por pesticidas sem o uso de todos os equipamentos de proteção necessários Marcos Alves / O Globo

PAULÍNIA, São Paulo — A demora na decisão de uma batalha judicial, que se arrasta há mais de dez anos, envolvendo ex-trabalhadores de Shell e Basf e o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Campinas, já deixou 59 mortos — dois no último fim de semana —, todos contaminados por substâncias cancerígenas na área onde trabalharam e funcionou a fábrica de agrotóxicos das duas empresas entre 1977 e 2002, no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia, interior de São Paulo. Parecer técnico encomendado pela Promotoria de Justiça concluiu que houve "negligência, imperícia e imprudência" da Shell e das outras empresas que a sucederam na área no caso da contaminação da fábrica e dos terrenos vizinhos.

A briga trabalhista dos ex-empregados é para garantir um plano de saúde que cubra despesas médicas com as doenças que surgiram depois de anos de contato com produtos químicos para produção de agrotóxicos. Na quinta-feira, em reunião entre os representantes dos trabalhadores e das empresas, o MPT de Campinas conseguiu incluir mais 13 pessoas em uma lista de 772 que já haviam garantido o direito de cobrar dos ex-empregadores gastos com tratamento médico.

Em sentença de agosto de 2010, a 2 Vara de Trabalho de Paulínia determinou que a Shell e a Basf teriam de custear totalmente as despesas médicas, laboratoriais e hospitalares dos ex-funcionários e de seus parentes, além de terceirizados que prestaram serviços à fábrica. À época, as empresas também foram condenadas a pagar multa de R$ 622 milhões por danos à coletividade e R$ 64,5 mil de indenização a cada um dos cerca de 600 ex-trabalhadores e seus filhos. As empresas derrubaram a multa e recorrem do pagamento de despesas médicas no Tribunal Superior do Trabalho.


Filhos de trabalhadoras nasceram com sequelas

A história da contaminação dos trabalhadores e vizinhos da fábrica de pesticidas da Shell começou com a compra de uma área de 400 mil metros quadrados em 1974, no então bairro Poço Fundo. A escolha do local não foi aleatória: vista de cima, a área se parece com a concha que simboliza a empresa. A fábrica, apesar dos protestos contra a sua instalação, começou a funcionar em 1977, com 191 funcionários. Em 1992, foi vendida para a multinacional Cyanamid que, em 2000, repassou-a à Basf. Desde antes da primeira venda, a fábrica já colecionava denúncias de contaminação pelo forte odor no ar e na água, que causava mal-estar físicos, gástrico em funcionários e vizinhos.

— Eu tinha de encher a caixa d’água à noite para usar no outro dia por causa do forte cheiro de produto químico — diz Ciomara Rodrigues, dona de uma chácara ao lado da fábrica.

Ciomara, que vive desde 2002 em um hotel em Paulínia custeado pelas empresas, conviveu com a contaminação desde que a fábrica da Shell começou a operar. Foi na chácara, construída pelo pai, que passou a infância e onde nasceram os dois filhos que "tiveram muitos problemas de saúde desde o nascimento".

— O mais velho vomitava constantemente, tinha diarreia e lacrimejava muito. Mas ninguém desconfiava que a contaminação vinha da chaminé em frente ao portão da minha chácara. Afinal, a Shell é uma grande empresa e ainda tinha o slogan "Você conhece, você confia". Quem iria imaginar que ela faria isso com a gente? — indaga.

Desde 2003, quando deixou a chácara contra sua vontade, Ciomara sofre de depressão e contraiu várias doenças em função da contaminação. Exames indicam que ela foi contaminada por Aldrin e outros químicos produzidos pela Shell. O filho mais velho, de 34 anos, tem o baço aumentado, um dos sintomas de contaminação, e complicações.

Os nove anos na Shell (1979-1988) tiveram consequências trágicas na vida de Benedita Mary Andrade, ex-coordenadora de serviços gerais. Em 20 de abril de 1990, nasceu com paralisia cerebral seu filho Leonardo, hoje com 21 anos.

— Ele teve má-formação na quarta e quinta semanas devido a problemas de contaminação ambiental — conta Mary, que é professora de artes de uma escola em Campinas e briga na Justiça para receber ajuda da empresa para custear o tratamento de Leonardo.

— Não resolve (a indenização), mas vou poder pagar um convênio. Preciso garantir o futuro dele. Saber que o problema dele foi por causa do meu trabalho, é doloroso.

Apesar do número elevado de mortos e da interdição do local desde 2002, não há avisos de que a área ainda está contaminada. O trânsito pelos mais de 400 mil metros quadrados, que incluem a área da fábrica e das chácaras vizinhas, só poderia ser feito com uso de equipamentos e roupas especiais. Até os avisos colocados no início da interdição foram retirados. Durante dois dias em que o GLOBO esteve no local, carros e motos circulavam normalmente. Seguranças contratados pela Shell disseram que não receberam nenhuma orientação sobre os riscos de trabalhar em local com substâncias cancerígenas. Na quarta-feira, trabalhadores limpavam uma pequena lagoa em frente à fábrica sem usar todos os equipamentos de proteção.

Procurada, Basf não se pronuncia sobre o caso


O médico toxicologista Igor Vassialeiff, que tratou dos primeiros pacientes, observa que o grau de contaminação ainda existente não permitiria que pessoas sem proteção circulassem pela área. Segundo ele, a presença de pessoas com pouco ou sem nenhum equipamento mostra que o poder público está relaxando.

Consultado, o Ministério Público estadual, que assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) logo depois que foi confirmada a contaminação da área, em 2001, disse que já está na hora de rever o acordo firmado com as empresas. Segundo a procuradora de meio ambiente do MP de Paulínia, Kelli Altieri Arantes, embora as informações sejam de que há inspeções periodicamente, a ideia é fazer um balanço e atualizar alguns pontos do TAC que podem já não ser suficientes para recuperar a área contaminada. Disse também que o órgão vai investigar se realmente está havendo relaxamento na prevenção e alertas estabelecidos no acordo para assegurar o isolamento da área.

Em nota, a Shell disse que as medidas de recuperação ambiental do bairro Recanto dos Pássaros acontecem há mais de dez anos e prosseguem dentro dos prazos acertados com as autoridades. Sobre os seguranças que estão no local, afirmou que eles não "precisam de vestimentas, máscaras ou qualquer outro tipo de proteção especial, uma vez que a baixa contaminação existente está restrita ao lençol freático". Sobre trabalhadores que atuam em obras de "remediação", diz que são obrigados a utilizar vestimenta adequada, que atende à legislação ambiental e trabalhista vigente. A prefeitura de Paulínia, também em nota, disse que realiza "vistorias periódicas" ao local e que há controle rigoroso.
 
 

domingo, 25 de março de 2012

NOTA PÚBLICA DA REGIONAL IX DO SEPE/RJ SOBRE O COLÉGIO ESTADUAL ERICH WALTER HEINE E O FIM DE MAIS UMA ILUSÃO DA TKCSA EM SANTA CRUZ
 

I - O SEPE/RJ (Sindicato Estadual dos profissionais de Educação – RJ) na luta por uma educação pública de qualidade para todos vem informar aos estudantes e comunidade escolar do CE Erich Walter Heine que apóia a denúncia contra a farsa da TKCSA e dos governos que alimentam a ilusão da escola sustentável. Já era previsto o triste fato entre a parceria TKCSA e governo do estado com a suposta “Primeira Escola Verde” construída em Santa Cruz, pois sabemos qual o verdadeiro interesse político-pedagógico do mercado, das empresas, e dos governos que permitem estas parcerias. É uma lavagem cerebral ideológica para manter o projeto hegemônico e os filhos da classe trabalhadora como escravos alienados e excluídos.

II - As denúncias sobre os problemas do C. E. Erich Heine que apareceram na imprensa são apenas a revelação mais pública das ilusões alimentadas desde que essa unidade escolar foi inaugurada. Laboratórios foram montados cenograficamente para depois serem desmontados. O autoritarismo e a falta de diálogo da direção com alunos, profissionais de educação e comunidade são patentes.

III - O pior é saber que esta dita “Escola Verde” assim como a obra do Hospital Pedro II foram decididas em conversas feitas na Alemanha com a presidência da TKCSA alemã, utilizando-se de recursos públicos (do povo brasileiro!!!) provenientes de projetos “sociais” de mitigação, com isenções fiscais e financiamentos do BNDES, ou multas recebidas por um processo errôneo. Também se faz necessário desconstruir a ilusão em alunos, pais e profissionais de que essa educação tecnológica corporativa, única e exclusivamente para o mercado (não emancipadora dos trabalhadores e trabalhadoras) garantirá a inserção de seus filhos no mercado de trabalho. Aproveitamos para informar que moradores e pescadores do Porto do Açu, no litoral norte do estado, estão em greve e lutam bravamente contra Eike Batista, assim como os pescadores da Baía de Guanabara lutam contra a Petrobrás.

IV - Desde o início das primeiras obras de fundação da Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), o SEPE esteve ao lado dos pescadores e moradores do entorno da baía de Sepetiba posicionando-se contra a instalação da Siderúrgica em nossa região. Há quatro anos temos denunciado as conseqüências maléficas causadas aos moradores pelo funcionamento dos fornos: despejo de pós nocivos à saúde nas comunidades do entorno; redução e destruição de parte do manguezal que beira a baía de Sepetiba e o Canal São Francisco; aumento de gases produtores do efeito-estufa e da chuva ácida; despejo de resíduos poluentes nas águas dos canais que perfazem a bacia hidrográfica da baía de Sepetiba; redução e proibição da circulação de pescadores no mar onde passam os navios usados pela TKCSA. Infelizmente o que a boa pesquisa revela é uma empresa que produz na realidade mais devastação ambiental do que a ilusão da multiplicidade de empregos.

V - Ao ser multada pelos órgãos de fiscalização de meio ambiente, a TKCSA utiliza a verba das multas para construir escola, reformar praça e outros tipos de pequenos projetos na comunidade prejudicada. Com isso, faz sua propaganda e passa uma imagem de empresa “boazinha” que ajuda os pobres e necessitados, o que é uma farsa. A TKCSA ganhou de graça a área imensa para construir a siderúrgica. Recebeu financiamento de milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com prazo a perder de vista e praticamente sem juros. É favorecida com renúncias fiscais milionárias pelos governos: de 2007 a 2010 a TKCSA deixou de contribuir com R$ 690.000.000,00 (seiscentos e noventa milhões reais), isso considerando apenas um tipo de contribuição que é o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias). Portanto privou a cidadania fluminense desses recursos, pois governo Sérgio Cabral, deu de presente nesse mesmo período às empresas do estado um total de R$ 50.000.000.000,00 (cinqüenta bilhões de reais) de anistia fiscal.

VI - É obrigação dos governos cumprir o que determina a Constituição e propiciar condições da Educação pública de qualidade para todos. A “Escola Verde” era para ser mais um dos poucos “Colégios Modelos”, ou seja, exemplos de excelência estadual na área educacional pública. Ao contrário, hoje o C. E. Erich Heine é a materialização do que não deve ser feito na gestão pública: parcerias público privadas – as famigeradas PPP – onde a maior quantidade do financiamento tem origem nos impostos pagos pela sociedade enquanto a suposta gestão tem parâmetros empresariais privados que sempre socializam o prejuízo e privatizam o lucro. A venda de ilusões é mais um dos descasos do governo em relação à população mais pobre. Os alunos desta unidade escolar fizeram seus protestos exatamente por lutarem para mudar essa situação. Eles querem a educação de qualidade que todos sonhamos para nossos filhos. Não é favor. Somos nós trabalhadores e trabalhadoras que construímos as máquinas, as fábricas e as escolas; plantamos e colhemos os alimentos. Somos nós que aumentamos a geração da riqueza e a produção de empregos. Não são as empresas nem governos.

Todo apoio à luta dos estudantes e professores da CE Erich W. Heine.

DIREÇÃO DA REGIONAL IX DO SEPE/RJ

Diretora da Escola Estadual Erich Walter Heine é deposta do cargo
 
  
 
Foto: Alunos protestaram em frente à escola na última sexta-feira / Roberto Moreyra


Extra

Como o EXTRA noticiou na último sábado, alunos da Escola Estadual Erich Walter Heine, em Santa Cruz, organizaram um protesto contra a ausência de professores e falta de água até para beber. Também reclamavam do atraso do almoço, que vinha de fora, apesar de a escola contar com uma cozinha própria; e da postura da diretora, que diziam ser autoritária.

Nesta tarde, a Secretaria estadual de Educação comunicou o afastamento da diretora na seguinte nota:

“A Secretaria de Estado de Educação informa que, após reunião da comissão que visitou o Colégio Estadual Erich Walter Heine, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, decidiu trocar a direção da referida unidade escolar.A carência de professor na escola já foi suprida e, até o fim do mês, a alimentação oferecida aos alunos estará sendo preparada no próprio colégio.Como informado na última sexta-feira, a bomba d’água já foi consertada”.
Michael Löwy critica Rio+20 e a propaganda da ‘economia verde’

Pesquisador diz não esperar nada da cúpula e critica a ‘economia verde’ 
 

Em junho, o Brasil sedia a Rio+20, a cúpula mundial de meio ambiente, um dos temas da edição 180 de Caros Amigos, que está nas bancas. A cúpula já divide opiniões, como a do pesquisador Michael Löwy, um dos entrevistados da reportagem publicada na revista.

Confira abaixo a entrevista de Löwy, feita pela jornalista Bárbara Mengardo.

Caros Amigos – O que você espera da Rio+20, tanto do ponto de vista das discussões quanto da eficácia de possíveis decisões tomadas?

Michael Löwy – Nada! Ou, para ser caridoso, muito pouco, pouquíssimo… As discussões já estão formatadas pelo tal “Draft Zero”, que como bem diz (involuntariamente) seu nome, é uma nulidade, um zero à esquerda. E a eficácia, nenhuma, já que não haverá nada de concreto como obrigação internacional. Como nas conferências internacionais sobre o câmbio climático em Copenhagen, Cancun e Durban, o mais provável é que a montanha vai parir um rato: vagas promessas, discursos, e, sobretudo, bons negócios ‘verdes”. Como dizia Ban-Ki-Moon, o secretário das Nações Unidas – que não tem nada de revolucionário – em setembro 2009, “estamos com o pé colado no acelerador e nos precipitamos ao abismo”. Discussões e iniciativas interessantes existirão sobretudo nos fóruns Alternativos, na Contra-Conferência organizada pelo Fórum Social Mundial e pelos movimentos sociais e ecológicos.

CA – Desde a Eco 92, houve mudanças na maneira como os estados lidam com temas como mudanças climáticas, preservação das florestas, água e ar, fontes energéticas alternativas, etc.? Se sim, o quão profundas foram essas mudanças?


ML – Mudanças muito superficiais! Enquanto a crise ecológica se agrava, os governos – para começar o dos Estados Unidos e dos demais países industrializados do Norte, principais responsáveis do desastre ambiental – “lidaram com o tema”, desenvolveram, em pequena escala, fontes energéticas alternativas, e introduziram “mecanismos de mercado” perfeitamente ineficazes para controlar as emissões de CO2. No fundo, continua o famoso “buzines as usual”, que, segundo cálculo dos cientistas, nos levara a temperaturas de 4° ou mais graus nas próximas décadas.

CA – Em comparação a 1992, a sociedade está muito mais ciente da necessidade de proteção do meio ambiente. Esse fato poderá influir positivamente nas discussões da Rio+20?


ML – Esta sim é uma mudança positiva! A opinião pública, a “sociedade civil”, amplos setores da população, tanto no Norte como no Sul, está cada vez mais consciente de necessidade de proteger o meio ambiente – não para “salvar a Terra” – nosso planeta não está em perigo – mas para salvar a vida humana (e a de muitas outras espécies) nesta Terra. Infelizmente, os governos, empresas e instituições financeiras internacionais representados no Rio+20 são pouco sensíveis à inquietude da população, que buscam tranquilizar com discursos sobre a pretensa “economia verde”. Entre as poucas exceções, o governo boliviano de Evo Morales.

CA – Como a destruição do meio-ambiente relaciona-se com a desigualdade social?


ML – As primeiras vítimas dos desastres ecológicos são as camadas sociais exploradas e oprimidas, os povos do Sul e em particular as comunidades indígenas e camponesas que vêem suas terras, suas florestas e seus rios poluídos, envenenados e devastados pelas multinacionais do petróleo e das minas, ou pelo agronegócio da soja, do óleo de palma e do gado. Há alguns anos, Lawrence Summers, economista americano, num informe interno para o Banco Mundial, explicava que era lógico, do ponto de vista de uma economia racional, enviar as produções tóxicas e poluidoras para os países pobres, onde a vida humana tem um preço bem inferior: simples questão de cálculo de perdas e lucros.

Por outro lado, o mesmo sistema econômico e social – temos que chamá-lo por seu nome e apelido: o capitalismo – que destrói o meio-ambiente é responsável pelas brutais desigualdades sociais entre a oligarquia financeira dominante e a massa do “pobretariado”. São os dois lados da mesma moeda, expressão de um sistema que não pode existir sem expansão ao infinito, sem acumulação ilimitada – e portanto sem devastar a natureza – e sem produzir e reproduzir a desigualdade entre explorados e exploradores.

CA – Estamos em meio a uma crise do capital. Quais as suas consequências ambientais e qual o papel do ecossocialismo nesse contexto?


ML – A crise financeira internacional tem servido de pretexto aos vários governos ao serviço do sistema de empurrar para “mais tarde” as medidas urgentes necessárias para limitar as emissões de gases com efeito de serra. A urgência do momento – um momento que já dura há alguns anos – é salvar os bancos, pagar a dívida externa (aos mesmos bancos), “restabelecer os equilíbrio contábeis”, “reduzir as despesas públicas”. Não há dinheiro disponível para investir nas energias alternativas ou para desenvolver os transportes coletivos.

O ecossocialismo é uma resposta radical tanto à crise financeira, quanto à crise ecológica. Ambas são a expressão de um processo mais profundo: a crise do paradigma da civilização capitalista industrial moderna. A alternativa ecossocialista significa que os grandes meios de produção e de crédito são expropriados e colocados a serviço da população. As decisões sobre a produção e o consumo não serão mais tomadas por banqueiros, managers de multinacionais, donos de poços de petróleo e gerentes de supermercados, mas pela própria população, depois de um debate democrático, em função de dois critérios fundamentais: a produção de valores de uso para satisfazer as necessidades sociais e a preservação do meio ambiente.

CA – O “rascunho zero” da Rio+20 cita diversas vezes o termo “economia verde”, mas não traz uma definição para essa expressão. Na sua opinião, o que esse termo pode significar? Seria esse conceito suficiente para deter a destruição do planeta e as mudanças climáticas?


ML - Não é por acaso que os redatores do tal “rascunho” preferem deixar o termo sem definição, bastante vago. A verdade é que não existe “economia” em geral: ou se trata de uma economia capitalista, ou de uma economia não-capitalista. No caso, a “economia verde” do rascunho não é outra coisa do que uma economia capitalista de mercado que busca traduzir em termos de lucro e rentabilidade algumas propostas técnicas “verdes” bastante limitadas. Claro, tanto melhor se alguma empresa trata de desenvolver a energia eólica ou fotovoltaica, mas isto não trará modificações substanciais se não for amplamente subvencionado pelos estados, desviando fundos que agora servem à indústria nuclear, e se não for acompanhado de drásticas reduções no consumo das energias fósseis. Mas nada disto é possível sem romper com a lógica de competição mercantil e rentabilidade do capital. Outras propostas “técnicas” são bem piores: por exemplo, os famigerados “biocombustíveis”, que como bem o diz Frei Betto, deveriam ser chamados “necrocombustiveis”, pois tratam de utilizar os solos férteis para produzir uma pseudo-gasolina “verde”, para encher os tanques dos carros – em vez de comida para encher o estômago dos famintos da terra.

CA – Quem seriam os principais agentes na luta por uma sociedade mais verde, o governo, a iniciativa privada, ONGs, movimentos sociais, enfim?


ML – Salvo pouquíssimas exceções, não há muito a esperar dos governos e da iniciativa privada: nos últimos 20 anos, desde a Rio-92, demonstraram amplamente sua incapacidade de enfrentar os desafios da crise ecológica. Não se trata só de má-vontade, cupidez, corrupção, ignorância e cegueira: tudo isto existe, mas o problema é mais profundo: é o próprio sistema que é incompatível com as radicais e urgentes transformações necessárias.

A única esperança então são os movimentos socais e aquelas ONGs que são ligadas a estes movimentos (outras são simples “conselheiros verdes” do capital). O movimento camponês – Via Campesina -, os movimentos indígenas e os movimentos de mulheres estão na primeira linha deste combate; mas também participam, em muitos países, os sindicatos, as redes ecológicas, a juventude escolar, os intelectuais, várias correntes da esquerda. O Fórum Social Mundial é uma das manifestações desta convergência na luta por um “outro mundo possível”, onde o ar, a água, a vida, deixarão de ser mercadorias.

CA – Como você analisa a maneira como a questão ambiental vem sendo tratada pela mídia?


ML - Geralmente de maneira superficial, mas existe um número considerável de jornalistas com sensibilidade ecológica, tanto na mídia dominante como nos meios de comunicação alternativos. Infelizmente uma parte importante da mídia ignora os combates sócio-ecológicos e toda crítica radical ao sistema.

CA – Você acredita que, atualmente, em prol da preservação do meio ambiente é deixada apenas para o cidadão a responsabilidade pela destruição do planeta e não para as empresas? Em São Paulo, por exemplo, temos que comprar sacolinhas plásticas biodegradáveis, enquanto as empresas se utilizam do fato de serem supostamente “verdes” como ferramenta de marketing.


ML – Concordo com esta crítica. Os responsáveis do desastre ambiental tratam de culpabilizar os cidadãos e criam a ilusão de que bastaria que os indivíduos tivessem comportamentos mais ecológicos para resolver o problema. Com isso tratam de evitar que as pessoas coloquem em questão o sistema capitalista, principal responsável da crise ecológica. Claro, é importante que cada indivíduo aja de forma a reduzir a poluição, por exemplo, preferindo os transportes coletivos ao carro individual. Mas sem transformações macro-econômicas, ao nível do aparelho de produção, não será possível brecar a corrida ao abismo.

CA – Quais as diferenças nas propostas que querem, do ponto de vista ambiental, realizar apenas reformas no capitalismo e as que propõem mudanças estruturais ou mesmo a adoção de medidas mais “verdes” dentro de outro sistema econômico?

ML – O reformismo “verde” aceita as regras da “economia de mercado”, isto é, do capitalismo; busca soluções que seja aceitáveis, ou compatíveis, com os interesses de rentabilidade, lucro rápido, competitividade no mercado e “crescimento” ilimitado das oligarquias capitalistas. Isto não quer dizer que os partidários de uma alternativa radical, como o ecossocialismo, não lutam por reformas que permitam limitar o estrago: proibição dos transgênicos, abandono da energia nuclear, desenvolvimento das energias alternativas, defesa de uma floresta tropical contra multinacionais do petróleo (Parque Yasuni!), expansão e gratuidade dos transportes coletivos, transferência do transporte de mercadorias do caminhão para o trem, etc. O objetivo do ecossocialismo é o de uma transformação radical, a transição para um novo modelo de civilização, baseado em valores de solidariedade, democracia participativa, preservação do meio ambiente. Mas a luta pelo ecossocialismo começa aqui e agora, em todas as lutas sócio-ecológicas concretas que se enfrentam, de uma forma ou de outra, com o sistema.