segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Zaqueu Teixeira, a pessoa errada no lugar errado no (des) governo de Sérgio Cabral


O novo (des) secretario estadual de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro é o dublê de deputado e delegado Zaqueu Teixeira que foi a favor da punição dos bombeiros e policiais militares que revindicava melhorias salariais e de trabalho...

Pensando bem pelo recorde do (des) governo de Sérgio Cabral, Zaqueu é o cara errado no lugar errado. Mas quer saber faz totalmente sentido!

Feliz 2013! E que no Açu, Chiapas ou Palestina sigamos lutando!


Chegando a mais um final de ano é inevitável que olhemos para frente com a esperança de mudanças no ano que está por se iniciar. Agora, dado que os mecanismos de exploração e opressão não vão cessar e os exploradores não vão se sensibilizar repentinamente com o destino dos explorados, o mais genuíno dos desejos de ano novo é que todos os que lutam permaneçam em segurança e com saúde para continuar os enfrentamentos que virão.

E seja no Açu, Chiapas ou na Palestina que a luta continue!



domingo, 30 de dezembro de 2012

Por essa Sérgio Cabral não esperava: Cabo expulso dos Bombeiros ajudou a resgatar tripulação de helicóptero da corporação



Herculano Barreto Filho e Nathália Marsal


“Quiseram tirar o brilho do meu coração, mas ser bombeiro está no meu sangue”. A frase, em tom emocionado, é do ex-bombeiro Alexandre Salvador de Almeida, de 36 anos. Ele foi uma das pessoas que ajudaram a salvar os quatro tripulantes que estavam no helicóptero do Corpo de Bombeiros que caiu no mar de Copacabana, na tarde deste sábado. A ironia do destino é que o ex-cabo foi expulso do Corpo de Bombeiros este ano, 13 anos após ingressar na corporação. Ele foi um dos militares excluídos, em maio, pelo governo do estado, por ter participado do movimento grevista da corporação.

Três dos quatro bombeiros da tripulação do helicóptero foram instrutores de Salvador, cujo sobrenome foi mais do que apropriado para a ocasião. O ex-cabo vai, com frequência, à Praia de Copacabana, onde revê os amigos e, até, ajuda a salvar pessoas do mar bravio, quando é necessário. Ontem, o cabo já tinha ajudado no resgate de sete pessoas, antes do acidente.

-Na hora do acidente eu estava acabando de tirar um garoto do mar. Eu voltei para o mar, quando vi o helicóptero caindo. A tripulação se jogou na água antes do choque com a água. Um dos sargentos machucou o joelho. Ele estava nervoso. Eu dizia: “Calma, relaxa. Você me ensinou tudo. Isso acontece. tem que estar preparado. Ele me agradecia, diz que o joelho não estava bom - disse Salvador, que está com uma ação na Justiça para voltar a fim de conseguir voltar para a corporação.

Salvador não tem emprego fico desde março. Ele conta que vive de bicos”, da ajuda de familiares, e da ajuda de outros militares.

O acidente ocorreu na altura do Posto 3, em Copacabana.

Latifúndio educando para reduzir a pobreza no campo?



O cartaz abaixo produzido pela Confederação Nacional da Agricultura e organizações satélites dá conta de como o governo Dilma está financiando a raposa para tomar conta da galinheiro. Fico só imaginando qual deve ser a matriz curricular dos cursos que o latifúndio anda ministrando para acabar com a miséria no campo... Mas em tempos de perseguição a quem critica, acho melhor guardar minhas idéias para mim mesmo.

No entanto, será que sou só eu que acha o CNA receber dinheiro do MEC enquanto as escolas existentes em rurais fechais são fechadas todos os dias?


topo

Obra do PAC causa conflito na Amazônia

AGUIRRE TALENTO
ENVIADO ESPECIAL A TUCURUÍ (PA)


A construção de uma linha de transmissão de energia de 1.800 km, ligando o sudeste do Pará a Macapá e a Manaus, se tornou um foco de conflito com moradores.

Obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o linhão do governo federal passa por unidades de conservação e, segundo moradores, tem provocado desmatamento e poluição.

Também atravessa terras de agricultores, que reivindicam indenização justa.

A objetivo da linha de transmissão de R$ 3,4 bilhões é baratear o custo da energia e integrar Amazonas, Amapá e oeste do Pará ao Sistema Interligado Nacional, que coordena a geração pelo país.

Tarso Sarraf/Folhapress 
Fazendeiro Jorge Costa diante da torre instalada em sua fazenda em Tucuruí (PA)

A obra federal tem duas empresas espanholas à frente: a Isolux Corsán, com a maior parte, e a Abengoa.

A construção começou em dezembro de 2010. Os conflitos podem atrasar sua conclusão, prevista para maio.

Há problemas em Porto de Moz (PA, na divisa com o Amapá), onde moradores de uma reserva fecham estradas desde o início do mês para impedir o trabalho da Isolux, em protesto contra suposto descarte inadequado de lixo.

Na área, uma unidade de conservação, agricultores dizem que resíduos da obra estão sendo lançados em suas propriedades e em rios. Também querem indenizações.

Em Tucuruí (PA), moradores da zona rural afetados pelo linhão protestaram há três meses contra a Isolux.

O protesto teve como alvo os valores de indenização pagos pela passagem do linhão por seus terrenos. Esses pagamentos, segundo líderes locais, variaram de R$ 500 a R$ 25 mil, a depender da intensidade do impacto.

Uma das torres do linhão foi instalada na fazenda de Jorge Costa, 56. Sua casa teve de ser reconstruída a 200 metros para dentro do terreno.

Costa diz ter recebido cerca de R$ 20 mil de indenização e que gastou tudo com a construção da nova casa.

Segundo ele, representantes da empresa inicialmente afirmaram que não iriam lhe pagar. Diziam que, como ele morava em um lote de terra dado pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa), não tinha direito a indenização.

Depois, afirma, tentaram lhe convencer a aceitar o valor oferecido. "Estavam intimidando: 'Ou recebe isso ou não vai receber nada'", disse.

Para tentar aumentar o valor das indenizações, a Apovo (Associação das Populações Vítimas das Obras do rio Tocantins e Adjacências) ingressou na Justiça.

Conseguiu fechar acordo para o pagamento, pela Isolux, de R$ 10 mil aos agricultores, referentes aos impactos do linhão nas plantações.

OUTRO LADO

O Ministério de Minas e Energia afirma que a obra do linhão Tucuruí-Macapá-Manaus foi projetada para ter o "mínimo impacto ambiental" e que indenizações levam em conta "dados de mercado".

Segundo o ministério, a altura das torres do linhão varia de 35 metros a 70 metros e é suficiente para passar por cima da copa das árvores.

A passagem da obra pelas unidades de conservação foi autorizada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), que definiu condicionantes para um menor impacto, afirma o ministério.

Sobre as indenizações aos moradores afetados pelo linhão, o ministério afirma que não correspondem ao preço integral da área atingida porque "não se trata de desapropriação, nem de aquisição, mas somente uma restrição de uso, sem que haja transferência da propriedade".

A Isolux afirma que os moradores "aceitaram amigavelmente os valores estabelecidos" e que a indenização seguiu critérios previstos em lei.

No caso das reservas extrativistas, a empresa diz que a indenização não é paga aos moradores, mas ao ICMBio, responsável pelas terras.

Sobre o descarte de lixo, a Isolux admite que pode ocorrer e diz haver programas de educação ambiental para trabalhadores e de recuperação de áreas degradadas.

A Abengoa não respondeu aos questionamentos da reportagem até a conclusão desta edição.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Repressão nos pescadores, silêncio sepulcral para os grandes poluidores


O ex-ambientalista e atual (des) secretário estadual de Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, não perde a chance de aparecer em poses durante as esporádicas ações de repressão a crimes ambientais que ocorrem no território fluminense. A última vez de que se teve notícia foi uma blitz num criadouro ilegal de javalis. 

Bom agora o ex-ambientalista apareceu para posar nas fotografias de uma ação que visou reprimir a pesca ilegal na Baía da Guanabara (Aqui!).

Agora o que me parece interessante é que Carlos Minc até hoje não emitiu uma só frase em relação aos grandes casos de degradação ambiental causado por grandes corporações como foi o caso recente da salimização causada pelas obras do Porto do Açu em São João da Barra Aqui!).

Carlos Minc tampouco se manifestou sobre a abertura de um processo pelo Ministério Público Estadual por causa de ilegalidades cometidas por servidores do INEA e de duas firmas de consultoria no processo de licenciamento ambiental de uma siderúrgica também em São João da Barra (Aqui!).

Como se vê a sanha repressora do ex-ambientalista só aparece contra os pequenos infratores. Já os grandes infratores... ah, esses parecem estar com carta branca para poluir e degradar.

Carlos Latuff "agradece" ao Centro Simon Wiesenthal


Como era esperado o cartunista Carlos Latuff não demorou para produzir um "agradecimento" artístico à decisão do Centro Simon Wiesenthal que o classificou como a 3a. pessoa mais antissemita do mundo por seu trabalho de denúncia sobre o massacre que é diariamente cometido pelo Estado de Israel contra o povo palestino. E Latuff o fez da melhor maneira que sabe: produzindo um dos seus gráficos e informativos desenhos. Veja abaixo!


Cada vez mais competitivos e menos humanistas


Ainda embriagados com os últimos resultados obtidos por seus estudantes no ENADE e no Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério da Educação (MEC), os dirigentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) mandaram fazer um outdoor celebratório e o postaram na entrada do campus Leonel Brizola.  Isto até é compreensível já que resultado melhor é sempre preferível do que resultado pior. Mas o que me espanta é que ninguém pare para refletir o que esse sistema de classificação significa em termos mais amplos sobre o papel da universidade brasileira.

Pois bem, uma pista do que acontece por aqui vem da Espanha, onde o jornal EL PAIS fez uma interessante análise sobre o impacto das mudanças curriculares no caráter crítico e reflexivo dos profissionais formados pelas universidades espanholas (Aqui!). E a análise é caústica e direta ao afirmar que em nome da viabilidade no mercado de trabalho, os currículos espanhóis estão abrindo mão da responsabilidade de formar profissionais que tenham uma capacidade de refletir sobre o mundo ao seu redor, isto sem falar na ausência da habilidade de contextualizar o contexto histórico em que se vive. Tudo isto em nome da tal viabilidade de emprego num mercado de trabalho.

O interessante é que essa mentalidade pró-mercado está aparecendo de forma sólida dentro do mesmo MEC que produz o ranking celebrado na UENF. É que seguindo essa mentalidade pró-mercado, os dirigentes máximos da educação brasileira estão tentando excluir os cursos de Ciências Humanas do acesso ao Programa Ciência Sem Fronteiras que deverá distribuir 75 mil bolsas de estudos a estudantes de graduação e pós-graduação até 2015 (Aqui!). A preferência do MEC é dar bolsas exclusivamente a alunos das áreas tecnológicas e biomédicas, como se avanço de conhecimento só tenha ocorrido nessas áreas.

Mas ainda que pareça inexistente, a comparação entre os casos da Espanha e do Brasil faz totalmente sentido se analisado sob o prisma da tentativa de se subordinar a formação universitária a um modelo mercado-dependente no qual as ciências humanas são vistas como indesejáveis por produzirem o tipo de crítica que os amantes do mercado não toleram. Para eles quanto menos humanistas e menos reflexivos melhor. 

Por essas e outras é que apesar dos dirigentes da UENF quererem vender a idéia de que estão no caminho certo por causa dos resultados do ENADE e do IGC, a instituição nunca esteve tão longe de ser capaz de produzir boas reflexões sobre o contexto em que está inserida e, portanto, acaba navegando por caminhos que de certo nada têm.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Carlos Latuff é rotulado como antissemita por seu trabalho em defesa dos palestinos



Carlos Latuff é um incansável defensor de diversas causas e usa suas habilidades como cartunistas para promover os direitos e interesses dos palestinos. Em função disso seus trabalhos têm sido popularizados no mundo árabe, especialmente nos recentes levantes que ocorreram na chamada Primavera Árabe.

Agora Latuff  acaba de ser incluído numa lista de antissemitas pelo Centro Simon Wisenthal cuja agenda de caçar nazistas da Segunda Guerra Mundial está se esgotando pela falta de criminosos daquele período está se dedicando a perseguir indivíduos que sejam vistos como inimigos do Estado de Israel.

Em relação a Latuff as razões de suas inclusão nessa lista é o seu compromisso com a causa palestina. Deste modo Latuff longe de ser sentir denegrido deverá produzir uma das cáusticas charges que tanta irritam o status quo sionistas que comanda e apoia o governo de Israel.

O projeto secreto por trás de Belo Monte

por Carlos Tautz

A revelação de que “Projeto bilionário de grupo canadense quer extrair ouro no Xingu” (Valor, 17/09) comprova o que vários opositores da construção da usina Belo Monte há anos vêm afirmando. A megahidrelétrica não é o único projeto que grandes grupos econômicos têm para a região onde está sendo erguida a planta energética mais polêmica do Brasil.

Vários especialistas afirmam que, sozinha e sem os subsídios governamentais, a usina não é viável economicamente.

Para fazer jus à montanha de dinheiro que o governo coloca no projeto (só o BNDES comprometeu-se com R$ 24 bilhões), é preciso haver razões ocultas, ou outros projetos “secretos” como este que agora vem à tona, o da corporação mineradora Belo Sun Mining, sediada em Toronto.

Os mesmos especialistas especulam que há outras usinas projetadas para o trecho a montante de Belo Monte. Assim, funcionando de forma articulada, garantiriam-lhe a viabilidade que isoladamente a usina não tem.

Com a revelação dos planos de mineração, vai-se explicando a insistência da direção do Ibama em contrariar seu próprio corpo técnico e aprovar uma licença ambiental manchada pela necessidade de seu consórcio construtor atender 40 condicionantes para emissão da licença.

Boa parte dessas condicionantes, que não estão sendo cumpridas em sua totalidade, são referentes justamente à região conhecida como Volta Grande, trecho de quase 100km de extensão que corre o risco de secar quando do barramento do Xingu.

Agora sabe-se para quê: “Nas terras indígenas da região do Xingu próximas aos canteiros de obras da UHE Belo Monte estão concentrados pedidos de autorizações de pesquisa e lavra de minerais nobres, como ouro, diamante, nióbio, cobre, fósforo, fosfato”, escreveu no jornal Correio da Cidadania a pesquisadora Telma Monteiro, antiga observadora dos megaprojetos na Amazônia.

Há muito os canadenses revelam sua intenção de explorar o ouro do Xingu. Em apresentação na Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro em 2010, a Belo Sun Mining já afirmava que planeja o início da mineração em 2015.

De tão ambiciosos e impactantes, é absolutamente impossível que os planos não fossem de conhecimento do governo federal, seja por informes dos arapongas da Abin, seja por força dos canais que o Ministério de Minas e Energia cultiva com grandes corporações internacionais.

Não basta que os grandes projetos, causadores de irreversíveis impactos negativos sobre a sociedade e o ambiente, cumpram a legislação ambiental brasileira. Apenas isso não os legitima. É necessário que eles deixem de fazer parte de agendas ocultas e passem a ser discutidos pela sociedade, que precisa ter a oportunidade de opinar e, eventualmente, até de vetar seu desenvolvimento.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Vale: Declínio dos lucros e a mesma exploração


Queda de demanda da China e problemas com os movimentos sociais podem derrubar altos lucros da Vale 

Pedro Carrano, 
de Curitiba (PR)


Mina de Carajás, no Pará: Vale possui dívida de R$ 4 bilhões com o Estado brasileiro e mais R$ 30 bilhões com a Receita Federal - Foto: Agência Vale 

É a primeira vez em dez anos que a Vale não vai distribuir dividendos extras a seus acionistas. Ao contrário de 2011, neste ano a mineradora se limitou ao pagamento da segunda parcela de 3 bilhões de dólares de um total de dividendos mínimos de 6 bilhões de dólares que haviam sido aprovados pela diretoria executiva da companhia para o ano de 2012. 

Entretanto, em 2011, o retorno aos investidores totalizou 9 bilhões de dólares, valor 33% acima do total mínimo destinado a eles em 2010. Fato é que o ano passado foi considerado de lucratividade alta, sobretudo devido a um ciclo de boas vendas do minério de ferro, ciclo este que também remete ao ano de 2006, quando foi comprada a mineradora canadense Inco, produtora de níquel, e a corporação passou a deslanchar como empresa de expansão internacional. 

O Canadá, em 2012, foi o alvo de 11,7% do investimento da maior mineradora a céu aberto do mundo, o que mostra a dimensão das operações hoje naquele país. Perdeu apenas para os investimentos no Brasil, que alcançam a casa de 63,7% dos investimentos da Vale. O ano de 2011 foi ainda de retorno recorde de capital da empresa, por volta de 12 bilhões de dólares, de acordo com o Relatório Anual da Vale do mesmo ano. O lucro operacional da mineradora alcançou a casa de 30 bilhões de dólares em 2011, segundo o mesmo documento. 

Declínio?

Um comparativo entre os anos de 2007 e 2011 aponta que o montante de produtos vendidos pela empresa é menor atualmente. A Vale passa por um quadro de endividamento, que se traduz em R$ 4 bilhões de dívida com o Estado brasileiro e mais R$ 30 bilhões em dívidas com a Receita Federal (são dívidas de Imposto de Renda, por exemplo) que não se justificam. Isso porque, dentre outros motivos, o pagamento de royalties de mineração no Brasil é irrisório quando comparado com outros países. Aqui, está na casa de 2%, ao passo que, no Canadá, chega a 10% de taxação na região de Ontário e 17% em Manitoba. Na Austrália, este preço alcança 8,2% de taxação para minas a céu aberto. A lucratividade da mineradora é gigantesca. 

Segundo organizações e especialistas, a queda nos resultados da empresa se relaciona com a demanda oriental. “A principal razão da queda das ações da Vale é a instabilidade no mercado do minério, a perspectiva de uma diminuição de consumo de ferro por parte da China e a dependência excessiva, nessa conjuntura, da Vale com a China”, analisa Danilo Chammas, da organização Justiça nos Trilhos, que integra o Movimento dos Atingidos pela Vale. 

Na mais recente assembleia anual ordinária de acionistas da empresa, no Rio de Janeiro, em abril de 2012, a presença de acionistas críticos foi consistente e bastante abordada pela imprensa. À época, também foi entregue um certificado a cada um dos acionistas e representantes da Diretoria e do Conselho de Administração ali presentes para que a Vale recebesse o prêmio de ‘Pior empresa do mundo’ (Public Eye Award 2012), anunciado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro deste ano. 

Ferro na alma

Neste contexto, a Vale continua propondo projetos agressivos de expansão. O principal deles se dá na região Norte do Brasil. Na avaliação de Chammas, há uma postura da empresa no sentido de aprovar projetos passando por cima da legislação ambiental. “O risco de ter suas obras paralisadas pelo Poder Judiciário é algo que deve estar preocupando muito a direção da empresa, que deve se esforçar para tranquilizar os acionistas. 

A empresa tem investido muitas forças no enfrentamento jurídico e também com uma nova política, inaugurada há cerca de um ano, de incidência sobre os órgãos de licenciamento para conseguir “um processo de licenciamento ambiental muito mais ‘azeitado’”, descreve Danilo Chammas, referindo-se à conference call (audioconferência) cedida por Luciano Siani, Diretor Executivo de Finanças e Relações com Investidores, onde teria feito esta referência. 

A intencionalidade da Vale na exploração de minério-de-ferro resultou que a maior reserva de minério do planeta, em Eldorado dos Carajás (PA), foi reduzida de 400 para 85 anos de estimativa de exploração, no curto espaço de uma década, sinal do extrativismo intenso na região. De todo o minério exportado em 2010, 70% teve Carajás como origem e a China como destino, como já apontavam informações do Fórum Social Mundial do ano de 2009. 

A intenção agora é montar uma infraestrutura cujo destino é o porto de São Luís, no Maranhão. “A Vale está precisando mostrar aos acionistas a força e as perspectivas de novos grandes investimentos de médio prazo”, descreve. O maior é a duplicação do Sistema Norte: abertura de uma nova enorme mina (S11D, com potencial de 90 milhões de toneladas ao ano); construção de uma segunda ferrovia de 900 Km ao lado da primeira; um novo ramal ferroviário de 100km e a ampliação do porto de Ponta da Madeira, em São Luís (que já é o porto mais profundo da América Latina), para exportação.


Cotas, a falsa solução dos males que afligem a universidade brasileira


Um tema que anda agitando as universidades brasileiras é a das chamadas cotas sociais ou raciais, dependendo de quem as apresenta. Sem ter medo de controvérsia, tenho a dizer que a defesa irrestrita das cotas é parte de uma miopia generalizada que está sendo embalada no mundo pseudo politicamente correto que cerca a implantação das políticas neoliberais no Brasil.

Adianto que não estou dentro daquele grupo que não crê na existência do racismo no Brasil ou, tampouco, ignora a permanência de preconceitos contra a maioria pobre do povo brasileiro. A minha crítica às cotas parte de um outro ângulo que raramente é abordado. O argumento das cotas está sendo usado como uma espécie de tábua de salvação que deixa intacta a questão do completo sucateamento do ensino público nos níveis anteriores e do domínio do ensino privado em todos os níveis. Para isto as cotas não resolvem nada, pois programas mitigatórios para colocar os pobres e negros (ou melhor dizendo os negros pobres) nas universidades acaba se constituindo em mecanismos de transposição de dinheiro público para as grandes corporações do ensino privado. Enquanto isto a imensa maioria pobre do nosso povo continua sendo impedida de ter condições mínimas de educação e é relegada a permanecer analfabeta e segregada dentro dos grandes bolsões de miséria que circundam as cidades brasileiras.

E a questão do domínio das vagas privadas no ensino brasileiro está refletindo em algo ainda mais nefasto que é diminuição da qualidade do ensino que é oferecido por estas verdadeiras fábricas de diplomas. Essa me parece ser a verdadeira questão que está sendo colocada para debaixo do tapete quando se concentra nas entradas. 

Também me causa espécie que não se analise devidamente em quais cursos os cotistas estão conseguindo entrar. Como alguém que trabalha numa universidade pública há 15 anos e que foi umas primeiras aderentes aos sistemas de cotas no Brasil continuo vendo os cursos que são considerados como o filé mignon da instituição sendo disputados com mais chances de conclusão por estudantes que circunavegam o sistema de cotas, e são sim originários do sistema privado de ensino nos níveis anteriores. 

Também é preciso dizer que os decantados resultados dos cotistas nunca são colocados em xeque em relação a algo que é essencial: como o Estado está garantindo que os poucos oriundos da maioria negra e pobre que compõe a população brasileira são mantidos dentro das universidades onde conseguem entrar. A verdade é que não existe uma política de assistência estudantil, pelo menos no caso da UENF, que permita aos seus estudantes, cotistas ou não cotistas, se manterem estudando em condições dignas. Em outras palavras, muito se fala sobre a questão da entrada, mas pouco ou quase nada é dito sobre a permanência e a saída com efetiva conclusão do curso. Se mexermos nesse angu é possível que se veja que pouco ou quase nada mudou. E, pior, os poucos cotistas negros que conseguem furar a hegemonia do diploma para brancos e ricos são usados como caso corrente e não como realmente são, exceções vitoriosas mas ainda assim exceções.

Finalmente, é preciso reconhecer que as cotas vieram e estão ai. Deste modo,  é preciso assim avançar as discussões sobre a real situação do ensino universitário brasileiro e do modelo privatista dominante. As cotas nesse sentido são apenas uma distração que impede a realização de uma discussão mais aprofundada sobre a universidade e, por extensão, da sociedade brasileira.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Aquecimento na Antártica Ocidental é mais rápido do que antes conhecido


O jornal espanhol "El País" traz uma interessante reportagem sobre o rápido aquecimento na parte ocidental da Antártica (Aqui!) que estaria ocorrendo num ritmo mais rápido do que antes imaginado.  Este novo conhecimento sobre o degelo no Pólo Sul se junta às já conhecidas mudanças no Pólo Norte para calar de vez os chamados céticos do aquecimento global; reforçando ainda as evidências de que a Terra está passando por uma transformação ligada à mudanças induzidas pela sociedade humana no funcionamento dos seus complexos e instáveis sistemas naturais.

Um dos efeitos esperados do derretimento das calotes polares e também das geleiras continentais é a elevação das águas oceânicas que, se confirmada, causará problemas gigantescos à numerosa população humana que se aglomera nas imediações das regiões costeiras em todo o planeta. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Indústria dos organismos geneticamente modificados continua sua marcha para mexer na nossa comida



Sempre escudados na desculpa de acabar com a fome no mundo, as grandes corporações continuam trabalhando para interferir no balanço dos sistemas naturais da Terra e controlar o que poderemos comer num futuro bastante próximo.

A novidade agora é uma espécie de Salmão gigante que poderá ser liberado para entrar no mercado norte-americano. O jornal britânico The Independent acaba de publicar uma matéria sobre o assunto, e mostra que a controvérsia em torno da introdução desta espécie artificial de peixe está sendo justificada, como sempre, como algo que vai contribuir para amenizar a fome no mundo (Aqui!). O interessante é que sempre fica a desculpa de que nada de ruim vai acontecer e que teremos mais algo seguro e sem riscos para os consumidores e os ecossistemas já bastante impactados por tantos outras descobertas "seguras".


domingo, 23 de dezembro de 2012

No fim do mundo que não veio, Exército Zapatista volta à cena política no México



Depois de muito se falar numa falsa notícia que foi o falso apocalipse atribuído aos Maias, a verdadeira notícia nas terras que eram outrora ocupadas por esse povo magnífico não foi repercutida pela imprensa empresarial. 

O fato não noticiado foi a realização de manifestações expressivas por militantes do Exército Zapatista de Libertação Nacional na maioria das cidades onde houve a insurreição armada há 19 anos na região de Chiapas. 

Assim desafiando os anúncios de sua morte precoce, o EZLN volta a mostrar sua força, e aponta grandes desafios para o governo conservador do recém empossado presidente Peña Nieto. Para maiores detalhes ver (Aqui!)

Revista Exame publica matéria sobre o fim da lua-de-mel de Eike Batista com o mercado


A Revista Exame acaba de publicar uma longa matéria sobre os principais problemas que marcaram o ano de 2012 para Eike Batista (Aqui!). A lista inclui desde os momentos felizes até alguns dos piores que Eike atravessou ao longo do ano. E olha que nessa matéria ainda não aparece a questão dramática em que se encontra o V Distrito de São João da Barra por causa do processo de salinização de águas e solos.

A verdade é que se 2013 continuar no ritmo do segundo semestre de 2012, a menor das preocupações de Eike Batista vai ser com o seu lugar no ranking dos bilionários da Revista Forbes.


Conceição de Mato Dentro: imagens do outro lado do túnel

Apesar de todas as atenções estarem sendo depositadas sobre as graves consequências do processo de salinização que está ocorrendo em São João da Barra em função da construção do Porto do Açu, a situação em Conceição do Mato Dentro onde será extraído o minério que deverá ser exportado por ali também é altamente preocupante.

Abaixo segue vídeo que foi enviado por José Daniel Utsch que mostra os problemas que estão sendo causados pelas atividades combinadas da MM(X) e da Anglo American naquele outrora aprazível e bucólico município mineiro.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

MPRJ denuncia ilegalidades no licenciamento de Siderúrgica no Açu


Ururau / Arquivo


Grupo teria apresentado estudos contendo dados parcialmente falsos e enganosos

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, nesta quarta-feira (19/12), nove pessoas e três empresas por crimes contra a administração ambiental. O grupo é acusado de apresentar estudos contendo dados parcialmente falsos e enganosos e inclusão de informações inverídicas no processo para obtenção de licenciamento ambiental da Siderúrgica Ternium S/A, no Complexo Industrial do Açu, no Norte Fluminense. A medida foi tomada após a verificação em documentos da falta de exatidão quanto às estimativas de concentração de benzeno no ar, além de outras omissões com o intuito de obter a licença para a empresa funcionar.


A Denúncia foi subscrita por Promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA), atuando em auxílio a 19ª Promotoria de Investigação Penal. O documento aponta como responsáveis pelos crimes: as empresas Ecologus Engenharia Consultiva, Ternium Brasil S.A. e Braile Engenharia, os engenheiros Cláudia Provenzano Barros, Edson Cruz de Sá, Virgínia M. Machado, Rafael Cardoso, Victória Valli Braile e Márcio Valli Braile, os funcionários públicos Carlos Alberto Fonteles de Souza e Mariana Palagano Ramalho Silva e a bióloga Tânia Maria Parucker Araujo Penna.

De acordo com a Denúncia, no processo de licenciamento ambiental da Siderúrgica Ternium, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) exigiu da empresa a elaboração e apresentação de estudo de prognóstico da qualidade do ar em relação ao poluente benzeno, além de complementação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado. Diante da exigência, a Ternium contratou a empresa de consultoria ambiental Ecologus, que, por sua vez, subcontratou a Braile Engenharia e ambas fizeram diversas versões do estudo “Análise dos cenários de Benzeno decorrentes das emissões da Siderúrgica Ternium Brasil – Prognóstico da Qualidade do Ar Complementar – Sinergia”.


No documento consta que os denunciados Braile Engenharia, Victoria e Márcio, ao elaborarem a primeira versão do estudo, subdimensionaram a estimativa de concentração de benzeno (substância cancerígena) no ar da área de influência, a partir do funcionamento da siderúrgica. Já na segunda versão do estudo, os mesmos afirmaram que a estimativa de concentração da substância levava em consideração todos os empreendimentos do Complexo Industrial do Porto do Açu (CLIPA), mas omitiu a contribuição do Terminal Sul como fonte de emissão do benzeno.

Os estudos contendo as informações falsas foram apresentados ainda em 2011 ao INEA por Ecologus, Cláudia Provenzano Barros, Edson Cruz de Sá , Virgínia M. Machado, Ternium e Rafael Cardoso por meio do trabalho “Consolidação do Processo de Análise e Aprovação do Estudo de Impacto Ambiental da Siderúrgica Ternium Brasil”. E em dezembro de 2012, os funcionários do INEA Carlos Alberto, Mariana Palagano e Tânia Parucker afirmaram que o estudo era válido e apto a fundamentar a emissão de Licença Prévia ao empreendimento, mesmo omitindo a contribuição do Terminal Sul como emissor do poluente. De acordo com os Promotores, as declarações dos funcionários possibilitaram a expedição das licenças pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA) em favor da Ternium.


“A conduta dos denunciados foi dolosa, já que o licenciamento ambiental do Terminal Sul estava em trâmite no Instituto Estadual do Ambiente quando foi realizada tal afirmação pelos denunciados, o que comprova que tinham plena ciência da existência de tal empreendimento no CLIPA e deliberadamente afirmaram que o estudo ambiental omisso era completo”, afirma trecho da Denúncia.

Se condenados, os acusados deverão cumprir as penas previstas nos artigos 66 e 69-A da Lei 9605/98, que trata das condutas e atividades lesivas ao meio ambiente (até seis anos de reclusão e multa), além das expressas no código penal.


FONTE: http://www.ururau.com.br/cidades25379

MPRJ denuncia empresas e funcionários do INEA por ilegalidades no processo de licenciamento ambiental de siderúrgica




O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, nesta quarta-feira (19/12), nove pessoas e três empresas por crimes contra a administração ambiental. O grupo é acusado de apresentar estudos contendo dados parcialmente falsos e enganosos e inclusão de informações inverídicas no processo para obtenção de licenciamento ambiental de uma Siderúrgica no Complexo Industrial do Açu. A medida foi tomada após a verificação em documentos da falta de exatidão quanto às estimativas de concentração de benzeno no ar, além de outras omissões com o intuito de obter a licença para a empresa funcionar.

A denúncia foi subscrita por Promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA), atuando em auxílio à 19ª Promotoria de Investigação Penal. O documento aponta como responsáveis pelos crimes três empresas e nove pessoas.


De acordo com a denúncia, no processo de licenciamento ambiental da Siderúrgica, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) exigiu da empresa a elaboração e apresentação de estudo de prognóstico da qualidade do ar em relação ao poluente benzeno, além de complementação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado. Diante da exigência, a Siderúrgica contratou uma empresa de consultoria ambiental , que, por sua vez, subcontratou outra empresa e ambas fizeram diversas versões do estudo "Análise dos cenários de Benzeno decorrentes das emissões da Siderúrgica Ternium Brasil - Prognóstico da Qualidade do Ar Complementar - Sinergia".

No documento consta que os denunciados, ao elaborarem a primeira versão do estudo, subdimensionaram a estimativa de concentração de benzeno (substância cancerígena) no ar da área de influência, a partir do funcionamento da siderúrgica. Já na segunda versão do estudo, os mesmos afirmaram que a estimativa de concentração da substância levava em consideração todos os empreendimentos do Complexo Industrial do Porto do Açu (CLIPA), mas omitiu a contribuição do Terminal Sul como fonte de emissão do benzeno.

Os estudos contendo as informações falsas foram apresentados ainda em 2011 ao INEA pela empresa , por meio do trabalho "Consolidação do Processo de Análise e Aprovação do Estudo de Impacto Ambiental da Siderúrgica Ternium Brasil". E em dezembro de 2012, os funcionários do INEA afirmaram que o estudo era válido e apto a fundamentar a emissão de Licença Prévia ao empreendimento, mesmo omitindo a contribuição do Terminal Sul como emissor do poluente. De acordo com os Promotores, as declarações dos funcionários possibilitaram a expedição das licenças pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA) em favor da Siderúrgica.

"A conduta dos denunciados foi dolosa, já que o licenciamento ambiental do Terminal Sul estava em trâmite no Instituto Estadual do Ambiente quando foi realizada tal afirmação pelos denunciados, o que comprova que tinham plena ciência da existência de tal empreendimento no CLIPA e deliberadamente afirmaram que o estudo ambiental omisso era completo", afirma trecho da denúncia.

Se condenados, os acusados deverão cumprir as penas previstas nos artigos 66 e 69-A da Lei 9605/98, que trata das condutas e atividades lesivas ao meio ambiente (até seis anos de reclusão e multa), além das expressas no código penal.

FHC se faz de inocente, mas tem muita culpa no cartório


A direita brasileira deve estar mesmo desesperada com a falta de quadros para combater a liderança  do ex-metalúrgico e ex-presidente Lula. Só assim para termos uma tentativa aberta de ressurreição de Fernando Henrique Cardoso que nas últimas semanas tem ganho amplo espaço para atacar Lula.

A verdade é que, apesar das aparências, os dois aplicaram receitas bastantes semelhantes na economia brasileira. A diferença é que foi FHC quem comandou um dos maiores saques aos cofres públicos brasileiros em seus quase 612 anos de existência. A privataria tucana representou uma perda de centena de bilhões de reais na forma de empresas públicas que foram vendidas a preços ridículos e entregues a grupos privados nacionais e internacionais.

Se a grande traição de Lula foi não rever esse processo de privatização de rapina, FHC nunca será superado no saque que cometeu. 

Mas pensando bem se a direita está recorrendo a FHC é porque a coisa para eles vai realmente muito mal. Isso pode ser um sinal de que em 2013 existe chance de mudança para melhor. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Entrevista com Prof. Carlos Rezende esclarece o processo de salinização em curso no V Distrito de São João da Barra


Em função da grande repercussão da matéria publicada pelo Jornal Folha de São Paulo e do pronto desmentido emitido pela Assessoria de Comunicação da LL (X), procurei o Prof. Carlos Eduardo Rezende, chefe do Laboratório de Ciências Ambientais, para que ele fornecesse uma entrevista que esclarecesse de vez as evidências de que o processo de salinização em curso nas águas e terras do V Distrito de São João da Barra não tem nada de natural e têm sim uma ligação direta com as obras realizadas na região para a construção do porto e do estaleiro que são até agora as únicas coisas concretas do outrora grandioso projeto intitulado "Complexo Industrial Portuário do Açu" (CIPA). 

Vejamos abaixo o que respondeu o Prof. Carlos Eduardo Rezende:



Entrevista para o Blog do Pedlowski

Blog do Pedlowski: Recentemente temos acompanhado uma discussão sobre a questão das águas na região e gostaríamos de iniciar nossa conversa com a seguinte questão: Como esta situação se iniciou?


CER: Há alguns meses atrás fomos procurados por pessoas da região que afirmavam que em uma região não inundada passou a ser inundada, e pior, as plantas que estavam naquela região estavam morrendo. Pois bem, estas pessoas trouxeram uma garrafa com uma amostra desta água. No entanto, nosso procedimento analítico no laboratório consiste em usar frascos que foram previamente limpos com nossos protocolos analíticos internos, mas como as pessoas já se encontravam nas dependências da instituição fizemos uma medida expedita chamada de condutividade elétrica. Este parâmetro, amplamente utilizado pelos cientistas, possui uma correlação direta com a conhecida salinidade. A água encaminhada para o laboratório apresentava uma condutividade de 4.400 µS/cm valor este que chamou atenção. Em seguida, a Dra. Marina S. Suzuki juntamente com dois pesquisadores assistentes foram ao campo e fizeram um levantamento da condutividade em vários pontos e novamente observamos números que chamam atenção.

BP: Estes valores não seriam esperados uma vez que estamos em uma planície costeira?

CER: De fato esperamos que nestas regiões os valores de condutividade sejam mais elevados do que em áreas continentais, pois estão mais afastadas da região marinha. No entanto, na Lagoa de Iquipari aonde a Dr. Marina Suzuki vem trabalhando há anos, notamos através de uma série histórica que ocorreu um aumento que consideramos razoável nos resultados da condutividade, a saber: 1996= 2.910 µS/cm; 2011 até abril de 2012= 4.840 µS/cm e agora outubro e novembro de 2012= 24.890 µS/cm. Um dos processos que poderiam aumentar a condutividade das águas desta lagoa seria a abertura da barra, mas neste período isto não ocorreu e, portanto, mesmo se considerássemos que houve uma baixa precipitação atmosférica no período dificilmente chegaríamos a este valor final. Assim, as mudanças na fisiografia da região devido ao grande empreendimento (o CIPA) no local nos chamou a atenção e de certa forma tem se apresentado como uma componente fundamental neste processo que estamos estudando.

BP: Em relação à situação dos agricultores quais seriam suas considerações?

CER: A situação que encontramos na nossa última visita de campo demonstrou que precisamos de um esforço maior do que o desprendido até o momento. Em vários alagados na região da restinga encontramos valores que variaram de 24.000 a 41.000 µS/cm e claramente observamos que as plantas não estavam tolerando estes níveis de condutividade, ou seja, encontramos bolsões de água com elevado teor de sais e vegetação morta. Inclusive nas áreas mais secas notava-se a precipitação dos sais na superfície dos sedimentos. O canal do Quintigute também apresentou valores que variaram de 2.000 a 4.430 µS/cm, e a informação que temos é que alguns agricultores usam as águas destes canais em suas plantações.   Por outro lado, alguns poços de pequenos proprietários apresentam valores que variaram de 60 a 250 µS/cm, o que possibilita o uso destas águas nas suas atividades agrícolas, porém são necessárias mais informações para o uso domiciliar.

BP: Então, diante do cenário atual quais seriam suas considerações sobre este processo de salinização?

CER: O que está acontecendo na região é diferente dos processos de salinização descritos na literatura, porém, não há a menor sombra de dúvidas de que estamos presenciando uma forte transformação na dinâmica das águas superficiais da região. Portanto, precisamos intensificar os estudos e contar com a colaboração de todos os envolvidos e por isto temos apresentado nossos dados publicamente. Iniciamos este estudo com a demanda de um cidadão, e entendemos que para todos os usos devemos zelar pela qualidade da água, não existe neste caso uma situação que possa se sobrepor em prioridade ou importância, principalmente no acesso a água e a preservação dos ecossistemas costeiros regionais. 

O Brasil neoliberal de Lula e Dilma provoca ódios e paixões de mão trocada




Marcos A. Pedlowski, artigo inicialmente publicado no site da Revista Somos Assim


A proximidade do final de mais um ano sempre nos oferece a oportunidade de avaliar o que fizemos e presenciamos ao longo de sua duração. No caso de 2012 não se pode dizer que tivemos poucas coisas meritórias de análise, pois este foi um ano para lá de movimentado em todos os sentidos. No caso do Brasil, ao menos no plano político, o que se viu foi a continuidade de um embate (falso, a meu ver) no tocante à contínua influência do ex-presidente Lula sobre o governo de sua sucessora. Lula, reconheçamos, é uma pessoa altamente polarizadora que desperta ódios e paixões quase que na mesma proporção. Eu, que utilizo as chamadas redes sociais, comecei a bloquear as postagens dos oponentes mais virulentos de Lula que nele veem a encarnação mais acabada das nossas piores qualidades. E esse bloqueio não adveio de nenhuma simpatia ou afinidade pelas políticas executadas pelo ex-metalúrgico, mas porque a maioria dos críticos só está armada dos piores preconceitos de classe contra os pobres que ousam abandonar os locais aos quais o status quo dominante no Brasil desenha para que se enclausurem.

Esta grita desesperada dos setores mais reacionários da sociedade brasileira tem uma pitada intensa de paradoxo. Afinal de contas, as mesmas pessoas que impulsionam críticas preconceituosas contra Lula são exatamente aquelas que estão mais se beneficiando da versão lulista do neoliberalismo a que Dilma está dando continuidade. Esse é um aspecto que os comentadores da mídia corporativa preferem alegremente esquecer quando fazem sua crítica de tipo neoudenista. Assim, o falso moralismo com que atacam os rumorosos casos de mau comportamento do petismo fica ainda mais evidente quando outros casos ainda mais graves são relacionados aos partidos da direita oficial, como o PSDB e o DEM. Outro dia tive a infelicidade de ler uma matéria de um economista/colunista que se deu ao trabalho de defender ardorosamente as escandalosas privatizações realizadas pelo PSDB, não sem antes criticar uma pseudopropensão do governo Dilma Rousseff de estatizar a economia brasileira. O fato é que este tipo de discurso não é apenas falso, já que Dilma Rousseff está realizando um dos governos mais privatistas da história recente do Brasil, como quem a critica normalmente responde aos interesses de quem está sendo por ela beneficiado.

Esse tipo de esquizofrenia em que a direita brasileira está imersa fica ainda mais patente quando são divulgados os dados de popularidade da dupla Dilma/Lula. Em publicação recente, o jornal Folha de São Paulo publicou que, se as eleições de 2014 fossem hoje, Dilma seria reeleita facilmente, dados os seus impressionantes índices de popularidade. Para aumentar o desespero direitista, Lula também mantém índices impressionantes de popularidade, de forma que quaisquer candidatos que se assanhem a competir com a dupla estarão destinados a nova derrota. E aqui mora a grande ironia deste estado aparentemente patológico em que a maioria do povo brasileiro parece estar imerso. Afinal de contas os fiadores de Lula e Dilma são os principais perdedores de todas as opções neoliberais que seus governos vêm impiedosamente executando desde 2003.

Muitos se perguntam como a dupla Lula e Dilma está conseguindo essa “mágica” de desagradar aos que mais ganham com suas políticas e de agradar os que mais perdem com elas; a resposta a este aparente paradoxo reside no discurso para inglês ver da oposição de direita. Além disso, há também o fato de o efeito da privatização herdada e ampliada pelo PT continuar sendo creditada aos anos em que Fernando Henrique Cardoso esteve no poder. De quebra, o pouco de distribuição de renda que se deu através dos múltiplos programas sociais executados principalmente por Lula gerou um processo de cidadania por ampliação do consumo que deixou ainda mais evidente o caráter elitista da direita brasileira.

Mas uma boa avaliação do que se passou nunca fica completa se não olharmos o que pode estar vindo pela frente. Um fato inexorável é que a principal aposta econômica feita pelo PT está enfrentando sérias dificuldades por causa da crise aguda e continuada em que se encontra o sistema capitalista. Essa aposta se baseava na sustentação de preços elevados para commodities agrícolas e minerais. Mas a explosão da bolha hipotecária norte-americana em 2008 não apenas diminuiu a demanda, como causou um recuo dos preços nominais. A combinação destes dois fatos torna toda a aposta em construção de hidrelétricas, complexos portuários e ampliação das malhas viárias e portuárias quase como uma morte anunciada. Entretanto, longe de recuar nessa opção de comodificação da economia brasileira, a opção de Dilma Rousseff tem sido aprofundá-la. E nisto não há qualquer sinal de que os partidos ditos de oposição vão insinuar qualquer crítica.

Diante deste quadro é que me atrevo a dizer que 2013 poderá ser ainda mais repleto de esquizofrenias e paradoxos, e o que as Cassandras da direita deverão fazer é verter ainda mais lágrimas de fel. Só resta saber como vai se comportar a maioria pobre da população quando a crise se abater de vez sobre suas cabeças endividadas.



Jornal Brasil de Fato publica artigo sobre violações de direitos trabalhistas e condições degradantes de trabalho no Porto do Açu


Abaixo reprodução de matéria publicada no Jornal Brasil de Fato onde abordo a questão das violações de direitos trabalhistas e condições degradantes de trabalho que têm sido impostas aos trabalhadores envolvidos na construção do Porto do Açu.

Como poderá ser observado, não são só desapropriações escabrosas e salinização que tornam esse empreendimento bastante problemático. Aliás, eu diria que o Complexo Industrial-Portuário do Açu está sendo construído em meio a um tripé de violações que já deveria ter resultado em ações duras por parte do Ministério Público, tanto o estadual como o federal. Mas como esperança é a última que morre, esperemos que a coisa mude de figura em 2013.


Na questão da salinização do Açu, a LLX dá uma de Chacrinha: não explica e só complica


Em resposta à devastadora da matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo, a empresa LL (X) respondeu ao veículo paulista em nota oficial (Aqui!). Mas como era de se esperar, a LL (X) não se explicou com base naquilo que há de mais contundente nos resultados dos estudos feitos pelo Laboratório de Ciências Ambientais da UENF, qual seja, dados. De nada adianta a empresa vir a público dizer que realiza suas próprias coletas cujos resultados desmentem os obtidos pelos pesquisadores da UENF se não os dados não são mostrados. E aqui aparece uma questão fundamental deste debate: na ciência determinadas verdades só são disputadas com base em dados válidos e devidamente publicizados. Do contrário, ficamos com o que tem possui validade e publicidade.

Outro detalhe que me parece curioso é a afirmação de que a LL (X) contratou uma fundação privada associada à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro para monitoramento dos canais Quitingute e Andrezza.  Agora vamos que esta fundação, a FAPUR, venha a público com seus dados. Do contrário, também ficaremos numa condição em que os únicos dados validados e publicizados serão os da UENF, que são aqueles que demonstram de forma cabal que a construção do Porto do Açu está sim causando um agudo processo de salinização de águas e terras no V Distrito de São João da Barra.

Finalmente, o que deixa mesmo pasmo é o silêncio dos órgãos ambientais que deveriam estar monitorando o avanço das obras do Complexo do Açu. Mas tanto o IBAMA como o INEA permanecem em silêncio olímpico como se o problema não fosse com eles. O caso do INEA é especialmente grave, pois como órgão que emitiu as licenças ambientais o mesmo tem a obrigação legal de acompanhar o cumprimento das medidas de controle e de reparação que a construção do empreendimento traria. Agora que a vaca está indo para um brejo salgado o INEA adota a postura do silêncio. Como neste debate a única postura cabível  seria contestar ou confirmar os dados da UENF até se entende o mutismo. Agora, vamos ver como ficam o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal diante destes novos desdobramentos. Ao que tudo indica, não ficarão mudos como o INEA. Aliás, muito pelo contrário.

Raposa pedindo ajuda de ambientalistas catarinenses para tomar conta de baleias no Açu


A matéria abaixo publicada em 28.03.2012 no site do jornal "Popular Catarinense" traz um daqueles momentos imemoráveis do chamado desenvolvimento sustentável. É que  ela informe sobre uma parceria entre a OS (X), a mesma empresa que está sendo acusada de causar um agudo processo de salinização no V Distrito de São João da Barra, e uma organização teoricamente preocupada com a preservação da Baleia Franca.

Para mim é claro: quem contamina e destrói não pode ser seriamente levado a sério na hora proteger uma espécie em particular. Quanto aos ambientalistas catarinenses estranho o fato de virem até aqui visitar as obras do Porto do Açu e não terem se dado ao trabalho de visitar agricultores e pescadores que vivem na região.

Sei lá, chamem-se de implicante, mas parece um caso típico de raposa tomando conta das baleias. 

Projeto Baleia Franca assina contrato de monitoramento com a empresa OSX
Popular Catarinense


O trabalho será o de monitorar os cetáceos para o Superporto do Açu, empreendimento do grupo EBX


O Projeto Baleia Franca, internacionalmente reconhecido pelas ações desenvolvidas com as baleias-franca no Sul do Brasil, começa o ano com um novo trabalho: monitorar os cetáceos para o maior empreendimento porto-indústria da América Latina: o Complexo Industrial do Superporto do Açu (RJ).

Em um encontro realizado nessa sexta-feira (23), o Diretor do PBF, Helder Canadas, o representante da OSX, Paulo Rebeschini e Hemerson Silveira, da H7 Consultoria, visitaram o Superporto localizado no norte do Rio de janeiro e que tem como previsão o início das operações em 2013.
O Complexo Industrial irá receber siderúrgicas, pólo metalmecânico, unidade de armazenamento e tratamento de petróleo, estaleiro, indústrias offshore, plantas de pelotização, cimenteiras, termoelétrica e indústrias de tecnologia da informação.
“A visita foi extremamente positiva para que pudéssemos conhecer um pouco mais sobre o Superporto. E o que vimos realmente nos impressionou, tanto pelo tamanho quanto pela celeridade das obras. Temos a certeza de que um projeto como esse precisa aliar desenvolvimento com meio ambiente. E esse será o papel do Projeto Baleia Franca”, diz Helder Canadas.
O Superporto do Açu deverá movimentar, pelo menos, 350 milhões de toneladas por ano, entre exportações e importações, posicionando-se como um dos três maiores complexos portuários do mundo. A estimativa é atrair investimentos de US$ 40 bilhões e gerar de 50 mil empregos, segundo dados da LLX.


O Diário: Produtores fecham a RJ-040 contra desertificação


Manifestação: produtores registram prejuízos com salinização de água doce de lagoa e canal

Produtores rurais do 5º distrito de São João da Barra fecharam a RJ-040, a estrada que dá acesso ao Complexo Portuário do Açu, na tarde desta terça-feira, impedindo a passagem de caminhões. A manifestação foi para sensibilizar as autoridades ambientais e também a Justiça, para que tomem atitudes a fim de agilizar os processos em andamento nos ministérios públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE). O impacto ambiental que teria sido causado pelas obras do complexo teria gerado pelo menos R$ 1 milhão em perdas de produção e afetado 1,4 mil famílias de agricultores.


Segundo pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a retirada de areia do fundo do mar – para permitir que navios maiores aportem – estaria provocando a salinização da água doce da lagoa de Iquipari e do canal Quitingute, utilizada pelos produtores para irrigar a lavoura. A evolução do impacto pode causar um processo de desertificação na região.

Segundo o presidente da Associação de Produtores Rurais e Imóveis (Asprim), Rodrigo Santos, desde o início da drenagem da areia, foram perdidos 200 mil abacaxis e 200 toneladas de quiabo e maxixe. “Temos que calcular as perdas levando em consideração que podemos colher quiabo no mesmo pé por pelo menos dois anos. Isso significa que nossas perdas começam hoje e perduram a médio e longo prazo”, analisou Rodrigo.
A professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Ana Costa contou que “a LLX está expulsando famílias de casa, sem nenhuma preocupação com idosos ou crianças e sem indenização prévia”.

Mostrando uma folha de caderno, o produtor Reinaldo Toledo contou que o papel foi levado por um funcionário da LLX até a porta da sua casa, numa tentativa de negociação. “Eles me deram isso aqui e ofereceram R$ 289.873, nos meus três alqueires. Eu pedi R$ 200 mil por cada alqueire. Eles não aceitaram e não quiseram mais negócio comigo”, desabafou.

Através de nota, a assessoria da LLX informou que “conforme estudos e pesquisas acadêmicas já realizadas, a presença de salinidade nas águas subterrâneas e superficiais do Açu decorre da própria estrutura geológica da região, formada a partir do processo histórico de avanço e recuo do mar. As Lagoas de Grussaí, de Iquipari e Salgada, bem como o Canal Quitingute, são caracterizados como de água doce à salgada”.