segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Valor: Dúvidas sobre acordo da MMX com Mubadala e Trafigura afetam ações


Por Tatiane Bortolozi | Valor

SÃO PAULO - As ações da MMX operavam em queda de 5,82% na tarde desta segunda-feira, cotadas a R$ 1,78, enquanto o Ibovespa marcava um recuo modesto de 0,36%, a 53.619 pontos. A mineradora do grupo EBX, do empresário Eike Batista, reuniu-se com investidores na sexta-feira para esclarecer as condições de um possível acordo com a trading holandesa Trafigura e o fundo soberano Mubadala, de Abu Dhabi, para vender o Porto Sudeste, mas muitas dúvidas permanecem e pressionam a ação, afirmam analistas.

O Bank of America Merrill Lynch (BofA) cita entre os pontos que ainda precisam de esclarecimento a tarifa a ser praticada no Porto Sudeste, o início das operações do ativo — embora tenha sido mencionado que o primeiro semestre de 2014 é viável —, as dívidas potenciais com fornecedores para a expansão da mina.

Tampouco está claro como a estrutura acionária do título MMXM11 vai permanecer, afirmam os analistas Thiago Lofiego e Karel Luketic, do BofA. Os recibos correspondem a obrigação referente aos royalties pagos pela futura movimentação de minério no Porto Sudeste.

“Devido a pontos pouco claros na escritura dos títulos, pode haver alguma discussão relativa ao seu resgate antecipado. O que quer que aconteça, todavia, os investidores devem lembrar que este não é mais um passivo da MMX”, dizem os analistas Juliana Chu e Ricardo Schweitzer, da Votorantim Corretora, referindo-se aos papéis MMXM11.

A partir de agora, a MMX deve focar seus esforços na expansão de capacidade, principalmente porque a quantidade de minério com propriedade de ser fragmentado em suas minas deve ser suficiente apenas até 2018 ou 2019. “Após esse período, as opções da companhia consistem na exploração de áreas adjacentes, tais como Pau de Vinho, ou investimentos adicionais na sua estrutura de produção existente ou para adaptá-la ao minério de ferro compacto”, diz a Votorantim.

A corretora considera que a MMX vai precisar de um novo parceiro, devido a intenção de Eike de reduzir ainda mais a participação na companhia. “Contrariamente às nossas primeiras impressões, no entanto, não parece que isto venha a ocorrer no curto prazo”, afirmam Juliana e Schweitzer.

O BofA adota recomendação de venda para a MMX, com preço-alvo de R$ 1. Já a Votorantim Corretora tem sugestão neutra, com preço-alvo de R$ 1,85. Segundo o fechamento de sexta, o potencial de desvalorização é de 47% e 2%, respectivamente.